Lula e Tarcísio em Rota de Colisão: A Guerra Surda pelo PCC e o Futuro da Segurança Pública
Lula e Tarcísio: a guerra surda pelo PCC

O clima em Brasília está mais pesado que o ar antes de uma tempestade de verão. E não, não é só por causa do calor. Nos corredores do poder, sussurra-se sobre uma fissura – quase uma fenda tectônica – entre o presidente Lula e o governador Tarcísio de Freitas. O estopim? Uma megaoperação contra o Primeiro Comando da Capital que deixou todo mundo com os nervos à flor da pele.

Na quarta-feira, 19 de junho, o Ministério da Justiça e Segurança Pública deu o pontapé inicial numa ação de proporções épicas. Quase setecentos mandados de busca e apreensão, espalhados por dez estados e o Distrito Federal. O alvo? Nada menos que a estrutura financeira e logística da facção criminosa mais temida do país. Uma investida que, em tese, deveria ser motivo de comemoração unânime. Mas é aí que a coisa complica.

O Silêncio que Grita

O Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, manteve um silêncio ensurdecedor. Nenhum comunicado, nenhum tuíte, nenhum reconhecimento público de uma operação que, convenhamos, mexe diretamente com o quintal de Tarcísio. São Paulo, afinal, é o berço e ainda o coração pulsante do PCC. O que explica essa frieza repentina?

Fontes próximas ao governador deixam escapar que o desconforto vem de longe. A sensação é de que o Planalto simplesmente passou uma borracha no governo estadual, ignorando completamente a expertise e as estruturas locais de inteligência. Foi um ‘fato consumado’, um aviso de que, na guerra ao crime, o comando agora é centralizado. E Tarcísio, um ex-ministro de Bolsonaro, não digeriu bem a snobada federal.

Os Dois Lados da Moeda

De um lado, o ministro Ricardo Lewandowski defende a operação com unhas e dentes. Para ele, a ação foi um sucesso estrondoso, um golpe certeiro no coração do sistema financeiro do crime. Apreensões de milhões em bens, contas bloqueadas, investigações que revelaram uma teia complexa de lavagem de dinheiro. Tudo feito dentro da mais estrita legalidade, é claro.

Do outro, o governo de São Paulo coça a cabeça. Não pela operação em si – combater o PCC é sempre bem-vindo –, mas pelo modus operandi. A queixa é sutil, porém profunda: falta diálogo, falta coordenação, falta aquela conversa de gente grande antes de botar o trem nos trilhos. É como chegar numa guerra sem avisar seu principal aliado.

O Xadrez Político por Trás das Grades

E aqui a gente precisa falar do elefante na sala: a política. Tarcísio não é aliado de Lula. Pelo contrário. É uma peça-chave da oposição, com aspirações nacionais que todo mundo enxerga. Qualquer atrito, por menor que seja, é imediatamente lido através dessa lupa política. Será que o governo federal estaria usando a máquina de segurança para encurralar um adversário em ascensão? Ou será apenas incompetência administrativa, falta de jogo de cintura mesmo?

O fato é que a operação escancarou uma realidade incômoda: a luta contra o crime organizado virou um palco de disputas de ego e poder. Enquanto os chefes do PCC riem à toa, vendo o estado brigar contra si mesmo, a população fica refém dessa picuinha. A pergunta que não quer calar: quem está realmente no comando dessa guerra?

A verdade é que ninguém sai como herói nessa história. Nem o governo federal, que age de forma unilateral, nem o estadual, que parece mais preocupado com afrontas políticas do que com resultados. No final, o maior prejudicado é sempre o mesmo: o cidadão comum, que paga impostos para ter segurança e só vê a violência crescer.

Resta saber se essa rixa velada vai esfriar ou se vai virar uma guerra aberta. Uma coisa é certa: o PCC não vai esperar para ver no que dá.