Justiça de MG libera Carnaval 2026 em Alto Rio Doce com Valesca Popozuda
Justiça libera Carnaval 2026 em Alto Rio Doce com Valesca

Justiça de Minas Gerais autoriza realização do Carnaval 2026 em Alto Rio Doce

A Justiça de Minas Gerais derrubou, na quarta-feira (11), a liminar que proibia contratações e apresentações para o Carnaval de 2026 no município de Alto Rio Doce. A decisão do desembargador Maurício Soares, relator da 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), permite que a festa prossiga com atrações como Valesca Popozuda, MC Bola, Negão Chandon e Yuri Hawaiano.

Fundamento constitucional e gestão municipal

Em sua decisão, o magistrado destacou que lazer e cultura são direitos fundamentais garantidos pela Constituição Federal. A proibição inicial atendia a um pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que alegava que a Prefeitura não havia implantado o sistema de tratamento de esgoto na cidade, e os recursos deveriam ser direcionados prioritariamente para essa área.

No entanto, o desembargador considerou que impedir a realização do Carnaval representaria uma interferência indevida na gestão municipal e uma punição desproporcional à população. O tribunal autorizou a continuidade do evento, que envolve investimentos superiores a R$ 760 mil, enquanto analisa alternativas menos invasivas para garantir a execução das obras ambientais exigidas.

Argumentos da Prefeitura e complexidade das obras

Em sua defesa, a Prefeitura de Alto Rio Doce apresentou uma série de justificativas técnicas e administrativas:

  • Estudos técnicos contratados que estimam o custo total do sistema de esgoto em aproximadamente R$ 35 milhões.
  • Obras de infraestrutura já realizadas, incluindo manilhamento e adequações na rede existente.
  • Gestão de resíduos sólidos implementada, com o encerramento do antigo lixão e contratação de empresa especializada para destinação correta do lixo.
  • Planejamento municipal em andamento para a elaboração do plano de esgoto e tratativas para a construção da estação de tratamento.

A administração municipal argumentou que as obras de saneamento são complexas e de alto custo, e que a suspensão do Carnaval teria impacto financeiro limitado. O desembargador concordou, afirmando que a economia gerada com o cancelamento do evento seria insuficiente para custear uma obra estimada em R$ 35 milhões.

Posicionamento da defesa e contexto regional

Os advogados que representam a Prefeitura de Alto Rio Doce emitiram nota comemorando a decisão judicial. Eles afirmaram que "esta decisão mostra o comprometimento e a seriedade da administração municipal e reforça a confiança na Justiça imparcial".

O caso ocorre em um contexto onde outras prefeituras mineiras também enfrentam questionamentos semelhantes sobre a realização de eventos culturais. Recentemente, a cidade de Joelma foi palco de disputa entre MP e prefeitura pelo terceiro ano consecutivo, e em outro município, uma caminhonete de luxo comprada pela administração pública foi sequestrada pela Justiça.

A decisão do TJMG estabelece um precedente importante para o equilíbrio entre obrigações ambientais e direitos culturais, reconhecendo a necessidade de soluções que não penalizem excessivamente a população enquanto se busca o cumprimento de metas de infraestrutura.