Carnaval 2025 em São Paulo: Megablocos concentram quase 20% dos roubos e furtos de celulares
Um levantamento exclusivo realizado com base em boletins de ocorrência da Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo revela dados alarmantes sobre a criminalidade durante o Carnaval de 2025. Os circuitos de megablocos, que reúnem milhares de foliões anualmente, foram responsáveis por concentrar aproximadamente 20% de todos os roubos e furtos de celulares registrados na capital paulista ao longo dos oito dias de folia.
Números detalhados das ocorrências
No total, a cidade registrou 6.067 casos de roubo e furto de celulares durante o período carnavalesco. Desse montante, impressionantes 1.145 ocorrências aconteceram especificamente nos trajetos dos megablocos, o que representa cerca de 19% do total. Os dados foram coletados considerando o pré-carnaval (22 e 23 de fevereiro), o carnaval propriamente dito (1º a 4 de março) e o pós-carnaval (8 e 9 de março) do ano passado.
Avenida Pedro Álvares Cabral liderou o ranking negativo com 329 registros, seguida pela Rua da Consolação com 241 casos e pela Avenida Marquês de São Vicente com 198 ocorrências. A Rua Augusta apareceu em quarto lugar com 158 registros, enquanto a Praça da República completou o top cinco com 73 casos.
Bairros mais afetados e resposta das autoridades
Entre os bairros, República e Consolação se destacaram como os mais críticos, com 529 e 519 ocorrências respectivamente. Os dez bairros com maior número de registros somaram 2.735 casos, equivalente a 45% do total geral. As áreas mais problemáticas se concentraram em três regiões principais:
- Centro: República, Consolação, Bela Vista e Santa Cecília
- Zona Oeste: Pinheiros, Barra Funda, Jardim Paulista e Várzea da Barra Funda
- Zona Sul: Moema e Vila Mariana
A Secretaria de Segurança Pública emitiu nota informando que "as regiões citadas são monitoradas de forma permanente, com reforço do policiamento preventivo e ostensivo no Carnaval". A pasta destacou ainda que, durante o pré-carnaval do ano passado, houve redução de 60% nesse tipo de crime, enquanto no carnaval propriamente dito os roubos de aparelhos caíram 36% e os furtos 24%.
Fatores que contribuem para a criminalidade
Especialistas em segurança pública apontam vários fatores que explicam a concentração de crimes nos circuitos de megablocos. Alan Fernandes, conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e doutor em administração pública pela FGV, explica que "os foliões ficam menos atentos ao entorno, estão aglomerados, e esse cenário favorece os furtos de celulares".
O professor da FGV e membro do FBSP Rafael Alcadipani complementa que "a combinação entre distração, consumo de álcool e características urbanas dos blocos cria um ambiente propício para a ação criminosa". Ele destaca ainda questões como a densidade de pessoas, a organização das vias - muitas delas estreitas - e a necessidade de policiamento mais efetivo.
Medidas de prevenção e metodologia da pesquisa
Os especialistas ouvidos pela pesquisa sugerem que o reforço do policiamento, ações de inteligência, uso de câmeras de monitoramento e campanhas educativas são medidas fundamentais para reduzir os índices de roubos e furtos durante as festividades carnavalescas.
A metodologia do levantamento utilizou dados da página de Transparência da SSP, eliminando registros duplicados com base em critérios específicos e descartando boletins cujos endereços não estavam disponíveis ou constavam como "vedação da divulgação dos dados relativos". A análise identificou ainda que alguns endereços aparecem associados a mais de um bairro, dependendo do trecho da via e do responsável pelo registro.
Para o Carnaval deste ano, a Polícia Militar anunciou que atuará diariamente com aproximadamente 5,2 mil policiais e 2,5 mil viaturas na capital, além do apoio de drones e câmeras do Programa Muralha Paulista, que permitem monitoramento em tempo real a partir do Copom.