Pesquisa revela como brasileiros usariam tempo livre com fim da escala 6×1
Brasileiros e o tempo livre se escala 6×1 acabasse

O que os brasileiros fariam com tempo livre se escala 6×1 acabasse

Uma pesquisa realizada pela Nexus, entre 30 de janeiro e 05 de fevereiro, revelou como a população brasileira utilizaria um dia adicional de folga, caso o fim da escala 6×1 fosse aprovado sem redução salarial. O estudo, que ouviu 2.021 cidadãos a partir de 16 anos em todas as 27 Unidades da Federação, aponta mudanças significativas nas prioridades conforme faixa etária, gênero e nível de renda.

Prioridades principais: família, saúde e lazer

De acordo com os dados, 45% dos entrevistados afirmaram que dedicariam mais tempo à família com um dia extra de folga. Em seguida, 23% escolheriam investir nos cuidados da própria saúde, enquanto 18% optariam por atividades de lazer no tempo livre. Outras ocupações também foram mencionadas, como fazer renda extra (15%), dedicar tempo ao relaxamento mental (14%), praticar atividade física (11%), investir em cursos e capacitações profissionais (10%), dedicar tempo à reforma da casa (7%), começar um novo hobby (5%) e aprender um novo idioma (4%).

Um pequeno grupo, correspondente a 3% dos respondentes, declarou que não se dedicaria a nenhuma dessas atividades, e 4% não souberam ou não quiseram responder. A margem de erro total da amostra é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.

Diferenças por faixa etária e gênero

A pesquisa destaca variações importantes nos interesses conforme a idade dos brasileiros. Entre os jovens de 16 a 24 anos, 20% investiriam em cursos e capacitações profissionais, demonstrando uma preocupação com o desenvolvimento de carreira. Já na faixa de 25 a 40 anos, o tempo em família se torna ainda mais relevante, com 54% priorizando ficar mais em casa se tivessem um dia extra de folga.

Para a população mais velha, os cuidados com a saúde ganham destaque: 24% dos brasileiros entre 41 e 59 anos e 28% daqueles com mais de 60 anos afirmaram que cuidariam mais da saúde caso tivessem mais tempo livre. Além disso, o cuidado com a própria saúde também seria priorizado por 27% das mulheres entrevistadas.

Impacto da renda e tipo de trabalho

O nível de renda e a situação profissional também influenciam as escolhas. Entre os brasileiros que ganham até um salário mínimo, 31% dedicariam mais tempo aos cuidados com a saúde, refletindo possíveis dificuldades de acesso a serviços médicos durante a semana de trabalho. Por outro lado, as atividades de lazer são um desejo maior para quem tem maior poder aquisitivo: 26% dos que ganham mais de 5 salários mínimos optariam por esse tipo de ocupação.

No que diz respeito ao tipo de trabalho, 23% dos trabalhadores com carteira assinada e 22% dos que estudaram até o ensino superior também priorizariam o lazer. Já entre os brasileiros que escolheriam fazer renda extra, destacam-se os trabalhadores com CNPJ (24%), os homens de forma geral (20%) e quem ganha acima de 2 salários mínimos (19%).

Conclusões e perspectivas

Os resultados da pesquisa da Nexus ilustram como a possível mudança na escala de trabalho poderia impactar a qualidade de vida e as escolhas dos brasileiros. A forte tendência em direção ao tempo em família e aos cuidados com a saúde sugere uma busca por maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional. As diferenças observadas entre grupos etários, de gênero e de renda ressaltam a importância de políticas trabalhistas que considerem a diversidade da população.

Este estudo oferece um panorama valioso para debates sobre reformas trabalhistas e seus efeitos no cotidiano dos cidadãos, evidenciando que o tempo livre é um recurso precioso com potencial para transformar hábitos e prioridades em diversas esferas da vida.