PMs absolvidos pela morte de adolescente de 13 anos no Rio geram repúdio da Anistia Internacional
PMs absolvidos por morte de adolescente no Rio: Anistia repudia

PMs absolvidos pela morte de adolescente de 13 anos no Rio geram repúdio da Anistia Internacional

Os policiais militares Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria foram absolvidos nesta quarta-feira, 12 de fevereiro de 2026, das acusações de homicídio contra Thiago Menezes Flausino, adolescente de apenas 13 anos que foi morto durante uma operação policial na comunidade da Cidade de Deus, localizada na Zona Oeste do Rio de Janeiro, no ano de 2023. Além disso, os agentes também foram inocentados da acusação de tentativa de homicídio contra Marcos Vinícius de Souza Queiroz, que dirigia a motocicleta alvejada pelos tiros e conseguiu sobreviver ao ataque.

O julgamento e as alegações de legítima defesa

O júri popular ouviu diversas testemunhas ao longo do processo judicial, incluindo Marcos Vinícius, a mãe de Thiago - Priscilla Menezes -, amigos do adolescente, um dos policiais que estava no carro particular utilizado durante a ação e um comandante que participou da chamada Operação Tróia. Os policiais militares alegaram consistentemente que Thiago teria aberto fogo primeiro, justificando seus disparos como atos de legítima defesa durante o confronto.

Durante as sessões no plenário, foram exibidas imagens que mostravam um jovem - apontado como sendo Thiago - portando armas de fogo. Segundo laudos periciais apresentados, essas fotografias estavam armazenadas no celular do adolescente. A mãe do menino, Priscilla Menezes, declarou ter ficado surpresa com as imagens e afirmou reconhecer o filho apenas em uma delas, questionando: "Aí parece o Thiago. Não sei o que é isso que ele está segurando. Não sei se é de matar rato".

Também foi apresentado ao júri um áudio gravado no qual o adolescente contava a um amigo que trabalhava para um traficante da região da Cidade de Deus, elemento que os defensores dos policiais utilizaram para tentar associar a imagem de Thiago à criminalidade local.

Anistia Internacional condena "inversão grave" no julgamento

A sentença de absolvição foi lida pelo juiz Renan de Freitas Ongaratto, do 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. A decisão judicial foi recebida com indignação e forte repúdio pela Anistia Internacional Brasil, que emitiu um comunicado oficial criticando o que chamou de "deslocamento do foco do julgamento".

A organização de direitos humanos afirmou categoricamente que "a absolvição dos policiais militares representa uma derrota na luta por justiça, memória e reparação" e destacou que "histórias como a dele não deveriam existir e nossa luta é para que casos como este não mais se repitam".

No documento, a Anistia Internacional detalhou sua preocupação: "Além da dor da perda e da absolvição, chamou atenção durante o júri o deslocamento do foco do julgamento. Em vez de se concentrar nas circunstâncias da morte e na conduta dos acusados, houve tentativas reiteradas de questionar a vida e a memória de Thiago, associando sua imagem à criminalidade como forma de justificar sua execução".

A organização acrescentou ainda: "Essa inversão, que transforma a vítima em alvo de julgamento, desvia o debate do que está em análise e fere o direito à memória, à verdade e à justiça. Quando o foco do júri se desloca para a vida da vítima, e não para a conduta dos acusados, há uma inversão grave. O réu é quem está sendo julgado e não o menino que foi morto".

A Anistia Internacional finalizou sua declaração enfatizando que questionar a trajetória de Thiago não contribui para a justiça, mas sim perpetua ciclos de violência e viola os direitos fundamentais à memória e dignidade da vítima e de sua família, que continua buscando respostas e reparação pelo ocorrido.