Senador Nelsinho Trad critica captura de Maduro pelos EUA e alerta para precedente
Trad critica captura de Maduro e alerta para precedente

O presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), manifestou profunda preocupação com a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos. Em entrevista ao programa Ponto de Vista, da VEJA, o senador alertou para o perigoso precedente criado pela ação militar em solo estrangeiro.

Preocupação com o precedente internacional

Nelsinho Trad afirmou que o colegiado acompanha com "preocupação" os desdobramentos da operação realizada no último sábado, 3 de janeiro de 2026, em Caracas. Maduro foi capturado e, em audiência na segunda-feira, 5, em Nova York, declarou-se inocente das acusações de narcoterrorismo imputadas pelo governo americano.

"O que nos causa alerta e preocupação é a precedência que uma manobra como essa acaba por gerar", disse o parlamentar. Ele foi enfático ao criticar o uso da força: "Ninguém em sã consciência concorda com a interferência de um país diante do outro usando a força. O Direito Internacional não tem nenhum capítulo que fale nesse sentido".

O senador espera que o episódio sirva de lição para que outras nações não sigam o mesmo caminho. A CRE já havia divulgado uma nota no sábado defendendo a convocação imediata de reuniões extraordinárias durante o recesso parlamentar, se necessário.

Contexto complexo e reações no Brasil

Trad reconheceu que, apesar da surpresa com a operação, os alertas dos EUA ao governo venezuelano eram reiterados, inclusive com tratativas de um eventual acordo aventadas pelo próprio Maduro. Ele também não ignorou os "malfeitos" do regime chavista, citando perseguições políticas, censura à imprensa, indícios de fraude eleitoral e o grande êxodo de venezuelanos.

A ação americana gerou reações imediatas no cenário político brasileiro. Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro celebraram a posição do governo Trump. O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu que "defender a soberania de um país é muito diferente de defender a supremacia dos interesses de um regime autoritário", vendo o início de uma nova era para a Venezuela e América Latina.

Já o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), classificou Maduro como um "ditador cruel" e criticou a conivência de figuras como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tarcísio, ventilado como candidato ao Planalto, afirmou que a Venezuela está vencendo a esquerda e que "o Brasil, no final do ano, também vai vencer".

Impacto na polarização e nas eleições brasileiras

Questionado sobre o reflexo da crise venezuelana nas eleições brasileiras de 2026, o senador Nelsinho Trad foi direto: o tema servirá para aumentar a polarização já existente no país.

"Todas as manchetes, todos os casos que aparecem recentemente na história política do Brasil servem para polarizar. Essa polarização existe, ela está latente. Um nutre do outro. Ficam só esses dois nomes sendo retroalimentados: Bolsonaro e Lula", declarou o presidente da CRE.

O episódio, portanto, coloca o Brasil diante de um debate delicado sobre soberania, direito internacional e seus reflexos na já acirrada disputa política doméstica, com ecos que devem ressoar até outubro.