A atriz Leandra Leal, atualmente no ar na novela das sete 'Coração Acelerado', fez um apelo público para que notícias falsas sejam combatidas em tempo real durante programas de debate. A declaração ocorreu após o ator Juliano Cazarré espalhar uma fake news sobre feminicídio em sua participação no programa 'GloboNews Debate', exibido na última terça-feira, 12 de maio de 2026.
O contexto do debate
No programa comandado por Julia Dualibi, que também contou com a psicóloga Vera Iaconelli e o consultor Ismael dos Anjos, Cazarré afirmou que 'mais mulheres matam homens do que homens matam mulheres', um dado completamente falso sobre feminicídio. A declaração foi feita durante uma discussão sobre masculinidade nos dias atuais.
A reação de Leandra Leal
Em suas redes sociais, Leandra Leal pediu que o jornalismo brasileiro atue de forma mais incisiva no combate às fake news. 'Como é que a gente vai lidar com a fake news? Eu acho que uma das coisas que a gente tem que fazer é interferir no momento em que ela começa', escreveu a atriz. Ela defendeu a implementação de checagem de fatos em tempo real, especialmente em programas de debate, para evitar que dados distorcidos sejam replicados e amplificados pela internet.
Leandra destacou que, embora seja natural que debatedores apresentem dados para embasar seus argumentos, o jornalismo não pode permitir que informações falsas sejam usadas para comprovar pontos de vista. 'Fake news é fake news. Uma mentira repetida mil vezes não vai virar verdade', afirmou.
A interferência de Ismael dos Anjos
Durante o programa, Ismael dos Anjos interveio para corrigir a informação de Cazarré, explicando que feminicídio é um crime específico, no qual mulheres são mortas por serem mulheres, geralmente em contextos de violência doméstica e não aceitação do término do relacionamento.
A origem da fake news
Os números falsos divulgados por Cazarré surgiram de um vídeo do TikTok do ano anterior. O vídeo afirmava que, em 2024, o Brasil teve 46.328 homens mortos em crimes violentos (número real: cerca de 42 mil) e usava um percentual de 6%, falsamente atribuído ao IPEA, para sugerir que 2.760 homens teriam sido mortos por parceiras, contra 1.500 feminicídios oficiais. No entanto, o vídeo distorce os dados ao misturar homicídios passionais com crimes de violência urbana, além de usar uma estatística global de 2013, que não reflete a realidade brasileira.
Especialistas apontam que o número de 6% é descontextualizado e que, globalmente, 40% dos homicídios de mulheres são cometidos por parceiros íntimos, número que sobe para 60% segundo dados recentes da ONU. No Brasil, o ano de 2025 registrou recorde de feminicídios na última década, evidenciando que mulheres morrem cada vez mais pelo simples fato de serem mulheres.
O perigo da desinformação
Leandra Leal alertou que a propagação de fake news como essa atrapalha o combate ao feminicídio e é perigosa para a sociedade. 'Melhor seria ensinar os homens que forte mesmo é respeitar as mulheres e usar os próprios privilégios para denunciar a violência contra quem, muitas vezes, tem a voz silenciada', concluiu a atriz.



