A crise política no Reino Unido atingiu um novo patamar com a renúncia do ministro da Saúde, Wes Streeting, nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026. Ele se junta a outros quatro membros do gabinete que deixaram seus cargos, aumentando a pressão sobre o primeiro-ministro Keir Starmer. O Partido Trabalhista enfrenta um momento delicado após o fraco desempenho nas eleições locais e regionais de 7 de maio, quando perdeu quase 1.500 cadeiras em conselhos municipais e viu o avanço do partido anti-imigração Reform UK.
Renúncia de Wes Streeting e seus impactos
Em sua carta de renúncia, publicada no X, Streeting afirmou ter perdido a confiança na liderança de Starmer. Ele declarou que é evidente que o atual primeiro-ministro não liderará o partido nas próximas eleições parlamentares, marcadas para 2029. Streeting, que representa a ala direita dos trabalhistas, apontou um vácuo na legenda. Considerado um potencial rival, ele precisa do apoio de 81 deputados para lançar uma campanha oficial, o que pode ocorrer em breve, já que 86 dos 403 deputados trabalhistas no Parlamento pediram a saída de Starmer.
Pressão sobre Starmer
Além das renúncias, a popularidade de Starmer vem caindo desde que assumiu o poder em 2024, em meio a uma economia estagnada e aumento do custo de vida, agravado pela guerra no Oriente Médio. As eleições locais de 7 de maio ocorreram sob a sombra de um escândalo envolvendo a nomeação e demissão de Peter Mandelson como embaixador em Washington, devido a seus laços com Jeffrey Epstein. Os sindicatos filiados ao Partido Trabalhista também retiraram seu apoio, exigindo um plano para a eleição de um novo líder.
Possíveis substitutos
Embora ninguém tenha anunciado oficialmente a candidatura, alguns nomes se destacam como possíveis sucessores de Starmer.
Wes Streeting
Ministro da Saúde desde 2024, Streeting foi eleito ao Parlamento em 2015 e tem experiência como vereador em Londres e líder estudantil. Ele é visto como um excelente comunicador e aponta a redução nas filas do NHS como uma de suas conquistas. Conta com apoio de parlamentares do centro e da direita do partido, mas sua posição mais à direita pode torná-lo impopular entre os demais trabalhistas.
Andy Burnham
Prefeito da Grande Manchester por quase uma década, Burnham é considerado o político mais popular dentro do trabalhismo. Já se candidatou duas vezes à liderança do partido, em 2010 e 2015. No entanto, ele precisa ser eleito deputado em Westminster antes de participar da votação para novo líder. Tentou uma vaga no início do ano, mas foi barrado por aliados de Starmer.
Angela Rayner
Ex-vice-primeira-ministra, Rayner renunciou ao cargo em 2025 após admitir sonegação de impostos na compra de uma casa. Recentemente, foi inocentada pela Receita britânica após pagar 40 mil libras em tributos atrasados. Apesar disso, descartou uma candidatura, afirmando que Starmer deveria refletir sobre uma renúncia.
Outros nomes
Outros possíveis candidatos incluem o ministro de Energia, Ed Miliband, que liderou o partido de 2010 a 2015; a ministra do Interior, Shabana Mahmood, cujas reformas de imigração não agradaram a ala esquerda; e o ministro da Defesa, Al Carns, veterano da Marinha Real.



