Manifestantes convocam passeata em Caracas para exigir eleições na Venezuela
Manifestantes exigem eleições na Venezuela com passeata em Caracas

Manifestantes convocam passeata em Caracas para exigir eleições na Venezuela

Sindicatos venezuelanos anunciaram uma passeata para a próxima quinta-feira, 16 de abril, com destino à Embaixada dos Estados Unidos em Caracas, com o objetivo central de exigir a convocação de eleições no país. A mobilização ocorre em um contexto de crise política profunda, iniciada após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro em janeiro, em uma operação conduzida por Washington sob ordens do então presidente Donald Trump.

Crise política e transição interina

Desde a queda de Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o comando interino do governo, sob forte influência dos Estados Unidos, que passou a desempenhar um papel central tanto na condução da transição política quanto na comercialização do petróleo venezuelano. A ausência de Maduro configura uma "falta absoluta" do chefe de Estado, e com o fim do prazo de 90 dias previsto na Constituição para a convocação de novas eleições, a oposição intensificou a pressão sobre o governo interino.

"Queremos que o povo possa escolher suas autoridades", declarou o representante sindical Jorge López à agência de notícias AFP. "É necessário convocar eleições livres, para que seja o povo a escolher suas autoridades, a fim de garantir uma transição para a democracia, liberdade e expressão civil de todo o povo venezuelano", completou López.

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Protestos e críticas à economia

Além da pauta eleitoral, os organizadores da passeata também criticam a condução da economia e o controle das receitas petrolíferas, atualmente sob influência de Washington. Segundo sindicalistas, apesar da retomada da comercialização do petróleo pelo governo dos EUA, a população continua enfrentando dificuldades para atender necessidades básicas.

A nova convocação ocorre poucos dias após protestos de trabalhadores por salários e melhores condições de vida, que foram reprimidos com gás pelas forças de segurança na capital. Diante da pressão, Rodríguez prometeu um reajuste salarial a partir de 1º de maio, sem detalhar valores específicos.

Contexto econômico desafiador

Cerca de 80% dos residentes afirmam que sua situação econômica não melhorou nos dois primeiros meses do ano em comparação com 2025, de acordo com uma pesquisa recente da Meganálisis. Atualmente, o salário mínimo venezuelano permanece congelado em 130 bolívares desde 2022, equivalente a aproximadamente R$1,40, enquanto a inflação anual supera 600%.

O custo mensal de uma cesta de alimentos básicos para sustentar uma família de cinco pessoas é de US$ 677, segundo dados do grupo de pesquisa Cendas, sediado em Caracas. Com a destituição de Maduro, a produção de petróleo do país caiu 21%, para 780 mil barris por dia em janeiro, e as exportações despencaram, reduzindo a entrada de dólares.

Essa moeda é amplamente utilizada pelos venezuelanos no lugar da divisa local desvalorizada. A escassez de dólares tem acelerado a inflação anual, que atingiu cerca de 600% em fevereiro, contra 475% em dezembro, exacerbando as pressões sobre os preços e causando mais sofrimento para a população que ganha salários em níveis estagnados.

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