O que começou como um passatempo de adolescente se transformou em um empreendimento cobiçado por milhares de pessoas, impulsionado por um vídeo que viralizou nas redes sociais. A artista e restauradora de livros Maria Zontes converteu sua paixão pela encadernação em uma empresa criativa que mescla arte, literatura e internet. Atualmente, ela conta com uma lista de espera de 13 mil interessados em seu trabalho.
O ponto de virada
O momento decisivo veio de maneira inesperada. Ao publicar um vídeo mostrando a modificação de um livro, Maria viu o alcance disparar. “Postei no horário de sempre, mas no fim do dia o vídeo já tinha mais de um milhão de visualizações”, relata. Antes disso, seus conteúdos costumavam atingir entre 10 mil e 100 mil visualizações.
Início na adolescência
A relação com a arte começou cedo. Aos 14 anos, fã de uma série literária, Maria decidiu criar seu próprio caderno inspirado na história. Ela aprendeu técnicas de encadernação de forma autodidata e passou a produzir peças para presentear, até que surgiram os primeiros clientes.
Estruturação do negócio
Com um investimento inicial de aproximadamente R$ 6 mil, ela estruturou o negócio que hoje vai além dos cadernos, incluindo intervenções artísticas em livros com técnicas que combinam restauração e criação autoral. Cada obra é única e exige um processo criativo detalhado, o que limita a quantidade de encomendas.
Adaptação pós-viralização
Com a alta demanda após a viralização, Maria precisou adaptar o modelo de negócio. Atualmente, além das intervenções, ela também monetiza com ensino. Os valores praticados são:
- Intervenções em livros: de R$ 2.500 a R$ 5 mil
- Cursos: cerca de R$ 800
- Mentorias: R$ 1.500
A estratégia permitiu escalar o negócio sem perder a essência artística. “Não consigo atender todo mundo porque o processo é muito autoral. Então comecei a ensinar para atender indiretamente essas pessoas”, explica.
Alcance internacional
O alcance digital levou o trabalho para além do Brasil. Maria já soma mais de 400 alunos em seus cursos, incluindo estudantes de outros países. Para isso, passou a oferecer conteúdos com legendas em outros idiomas. Com um único vídeo viral, ela consegue fechar a agenda de encomendas por até um ano inteiro.
Planos futuros
Agora, a empreendedora quer reduzir o volume de encomendas e focar cada vez mais no ensino — área que, segundo ela, também traz realização pessoal. “Eu sempre me vi como artista, mas precisei aprender empreendedorismo para viver disso”, afirma. Entre os planos para o futuro, está levar o trabalho para além das telas, com exposições presenciais de suas obras.



