A captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, por forças dos Estados Unidos, frustrou um plano secreto do regime chavista que buscava um exílio político no Leste Europeu. A ação americana, ocorrida em 5 de janeiro de 2026, interceptou negociações discretas que já estavam em andamento.
Rota de fuga para Belarus foi interrompida
Segundo informações de fontes diplomáticas, emissários de Caracas haviam feito contato com o governo de Belarus nas semanas anteriores à operação. O objetivo era sondar a possibilidade de asilo para Maduro sob a proteção do presidente Aleksandr Lukachenko, um aliado histórico do Kremlin russo.
Essa movimentação ocorreu em um contexto de endurecimento da política de Washington contra a Venezuela. Os EUA passaram a tratar o país como um teste inicial de sua nova Estratégia de Segurança Nacional, que visa conter e expulsar a influência de potências rivais, como Rússia e China, do hemisfério ocidental.
Apesar de mais de duas décadas de apoio ao chavismo, a Rússia optou por não oferecer asilo direto a Maduro. A avaliação em Moscou foi de que esse gesto poderia prejudicar o delicado diálogo entre o presidente Vladimir Putin e o líder americano Donald Trump sobre a guerra na Ucrânia, prioridade máxima do Kremlin.
Belarus surgiu, então, como uma alternativa viável: politicamente alinhada à Rússia, mas com um custo diplomático menor. No entanto, a rápida operação americana levou Maduro diretamente para os Estados Unidos, onde ele aguarda julgamento por acusações de narcoterrorismo e crimes transnacionais.
Aliados recalculam apoio após ação dos EUA
A prisão do líder venezuelano expôs claramente os limites da rede de proteção internacional do seu regime e forçou seus principais aliados a recalibrar suas posições de forma cautelosa.
Publicamente, o governo russo condenou a captura e criticou o que chama de intervencionismo americano. Nos bastidores, porém, a cautela prevalece. Há temor em Moscou de que o sucesso da operação fortaleça Trump e resulte em uma postura mais dura nas negociações sobre a Ucrânia.
A Venezuela foi, desde a era de Hugo Chávez, um ativo simbólico da estratégia russa de projetar influência nas Américas. Moscou vendeu armamentos, realizou exercícios militares e usou a parceria para marcar presença em uma região historicamente dominada pelos EUA. Contudo, esse investimento nunca gerou grandes ganhos econômicos e perdeu prioridade com a guerra prolongada na Europa Oriental.
China mantém postura pragmática e distante
A China adotou um tom ainda mais contido. Pequim sempre manteve uma relação pragmática com Caracas, focada em petróleo e financiamento de infraestrutura, evitando qualquer envolvimento militar direto. Nos últimos anos, já havia reduzido sua exposição financeira diante do colapso econômico venezuelano.
No cenário atual, a prioridade chinesa é preservar suas negociações comerciais e estratégicas com Washington. Analistas avaliam que Pequim não tem intenção de transformar a Venezuela em um novo foco de confronto, especialmente em um momento em que suas atenções estão concentradas em Taiwan e na região do Indo-Pacífico.
Um recado estratégico para o hemisfério
A queda de Maduro envia um sinal claro sobre os limites da capacidade de Rússia e China de protegerem aliados quando os Estados Unidos decidem agir diretamente em sua área de influência imediata.
Para Washington, a operação reforça a mensagem de que não aceitará a consolidação de rivais globais em seu entorno estratégico. A grande questão que fica no ar é se este episódio será um caso isolado ou o primeiro movimento de uma ofensiva mais ampla para redefinir o equilíbrio de poder em todo o continente americano.
Em declaração sobre a crise, o presidente russo Vladimir Putin condenou a captura, afirmando que viola a soberania venezuelana e princípios do direito internacional. Ele defendeu uma solução por meio de diálogo político interno, sem imposições externas. Apesar do discurso crítico, Putin evitou anunciar qualquer retaliação concreta, sinalizando que o tema não é uma prioridade frente ao conflito na Ucrânia.