
Não é todo dia que a base aliada pega pesado com o Planalto, mas quando o bicho pega, a reação vem com tudo. E olha, a bancada do União Brasil na Câmara não deixou por menos.
Nesta terça-feira (27), os deputados do partido soltaram uma nota conjunta — daquelas pra ficar registrada — dando um apoio firme e irrestrito ao seu líder, Elmar Nascimento, o Rueda. E não foi por acaso. A movimentação veio logo após o presidente Lula soltar umas farpas durante a cerimônia de posse do novo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.
Lá das alturas do Planalto, Lula reclamou — e não foi pouco — da dificuldade de articular com o Centrão. Na visão dele, falta "vontade política" para destravar pautas. E citou nominalmente Rueda, questionando por que o líder do União Brasil ainda não teria indicado um nome para uma vaga de secretária nacional. Afiado, completou: "Ou o partido não quer, ou o líder não obedece, ou o líder não tem poder".
Mas a bancada não demorou nem cinco minutos pra se reorganizar. Em resposta, o texto da nota — assinado por 35 deputados — foi direto: "Manifestamos total apoio ao nosso Líder, deputado Elmar Nascimento". E ainda elencaram uma série de conquistas do partido no governo, como se dissessem: "Tá vendo? A gente tá trabalhando".
Entre os avanços citados, entraram desde a aprovação da reforma tributária até a nomeação de mais de 600 cargos comissionados para a legenda. Detalhe que faz diferença nos corredores de Brasília.
E não parou por aí. O texto ainda reforçou o compromisso do União Brasil com "os anseios da população e a agenda de desenvolvimento do governo Lula". Ou seja, mesmo na bronca, mantiveram o tom de aliados. Jogo de cintura político puro.
Rueda, por sua vez, já havia se adiantado e respondido às críticas ainda durante a semana. Em entrevista, deixou claro que o partido não ficou parado: indicou sim um nome para a Secretaria Nacional de Parcerias e Investimentos — a executiva Luana Ribeiro —, mas o Planalto ainda não deu o aval. E completou, com certa ironia: "Se o governo quiser que a gente governe junto, a gente governa. Agora, se quiser que a gente faça oposição, a gente também faz".
O recado? Está dado. E agora a bola volta para o court do Planalto.