EUA e Irã confirmam reunião diplomática crucial para evitar conflito nuclear
Os Estados Unidos e o Irã confirmaram oficialmente que retomarão as negociações nucleares na próxima quinta-feira, em um encontro que autoridades internacionais consideram a última tentativa diplomática para evitar um conflito aberto entre as duas nações. A confirmação foi feita por um funcionário americano à agência de notícias AFP nesta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, sem que fossem fornecidos detalhes adicionais sobre o local ou participantes específicos.
Cenário de tensão crescente no Oriente Médio
O anúncio ocorre em meio a um aumento significativo das tensões na região, com os Estados Unidos reforçando sua presença militar no Golfo Pérsico e o Irã mantendo uma postura defensiva firme. Mais cedo no mesmo dia, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, afirmou que Teerã está pronto para encontrar uma solução diplomática para o impasse nuclear, mas deixou claro que se defenderá contra qualquer ação militar.
"Um ato de agressão será considerado um ato de agressão. Ponto final. Qualquer Estado reagiria a um ato de agressão como parte de seu direito inerente à autodefesa, e é isso que faríamos nesse cenário", declarou Baghaei durante coletiva de imprensa em Teerã.
Posições divergentes e ameaças militares
As declarações do porta-voz iraniano surgem poucos dias após o presidente americano Donald Trump admitir publicamente que considera um ataque limitado caso não se chegue a um acordo nuclear satisfatório. "Posso dizer que estou considerando isso", afirmou Trump em resposta a perguntas de repórteres na sexta-feira, 20 de fevereiro.
De acordo com fontes governamentais americanas, Trump vem pressionando por uma ação militar inicial que sirva como demonstração de força e deixe claro à liderança iraniana que Washington exige o fim completo da capacidade de enriquecimento de urânio com potencial bélico. Entre os possíveis alvos estariam:
- Quartéis-generais da Guarda Revolucionária Islâmica
- Instalações nucleares iranianas
- Estruturas ligadas ao programa de mísseis balísticos
Diálogo frágil e mediação de Omã
Desde o início de fevereiro, Washington e Teerã vêm mantendo um diálogo frágil sobre o futuro do programa nuclear iraniano, com duas rodadas de negociação já realizadas, ambas mediadas pelo Sultanato de Omã. A segunda rodada foi encerrada na terça-feira, 17 de fevereiro, com o país mediador afirmando que as conversas têm sido conduzidas com "um empenho positivo em ir além para finalizar o acordo".
Quem lidera o diálogo por parte do Irã é o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, enquanto os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump, representam os interesses americanos. Apesar do tom levemente positivo para o encontro desta quinta-feira, as negociações ocorrem em meio ao maior incremento da presença militar americana no Oriente Médio em duas décadas.
Proposta intermediária e direitos soberanos
Nos bastidores diplomáticos, surge uma proposta intermediária atribuída a Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica. A ideia permitiria ao Irã manter um programa extremamente limitado de enriquecimento de urânio exclusivamente para fins médicos, como a produção de isótopos para tratamento de câncer.
Pelo arranjo proposto, Teerã poderia alegar que preserva seu "direito" ao enriquecimento previsto no Tratado de Não Proliferação Nuclear, enquanto Washington afirmaria que as instalações com potencial militar seriam desativadas. No entanto, ainda não está claro se as duas partes aceitariam essa fórmula de compromisso.
Enquanto Trump defende publicamente a meta de "enriquecimento zero", o chanceler iraniano Abbas Araghchi reiterou que o país não abrirá mão do que considera seu direito soberano de produzir combustível nuclear. O cenário atual coloca Teerã em um clima misto de otimismo e pessimismo, com o regime trabalhando simultaneamente em bases para o diálogo diplomático e para o confronto regional.