Bolsonarismo aposta em Nunes Marques no TSE para reverter decisões sobre desfile de Lula
Bolsonarismo mira Nunes Marques no TSE contra desfile de Lula

Estratégia da oposição mira mudança na presidência do TSE para reverter decisões sobre Lula

A oposição ao governo federal intensificou suas investidas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o Carnaval. A estratégia política, no entanto, vai além das ações imediatas e aposta numa mudança fundamental na cúpula da Corte Eleitoral que ocorrerá em junho deste ano.

Mudança na cúpula do TSE como alvo estratégico

Enquanto inunda o TSE com representações alegando propaganda eleitoral antecipada em relação ao desfile que exaltou Lula, a oposição concentra suas esperanças no mês de junho. É quando os ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça assumirão, respectivamente, os cargos de presidente e vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Ambos os magistrados têm uma ligação significativa: foram indicados ao Supremo Tribunal Federal pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

O líder do Partido Liberal na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, deixou claro o objetivo da manobra. Segundo ele, a sigla pretende provocar o tribunal novamente em junho, "para ver se tem uma mudança de interpretação" sobre as implicações do desfile que exaltou o petista para a isonomia da campanha eleitoral. A composição do TSE segue uma estrutura específica:

  • Três cadeiras são ocupadas por ministros do STF
  • Duas por integrantes do Superior Tribunal de Justiça (STJ)
  • Duas por juristas advindos da advocacia

O plenário do TSE elege seu presidente e vice entre os ministros do Supremo, enquanto o corregedor-geral da Justiça Eleitoral será sempre um magistrado do STJ.

Decisões recentes e expectativas da oposição

Na semana anterior ao Carnaval, o TSE já havia rejeitado pedidos de liminar contra Lula e a escola que o homenageou. Os ministros argumentaram que qualquer medida naquele momento configuraria censura prévia, mas deixaram alertas em seus votos sobre o risco de que o desfile pudesse concretizar crimes eleitorais.

Na última quinta-feira, 19 de fevereiro, o Partido Liberal apresentou um pedido antecipado de provas à Corte Eleitoral, defendendo que o TSE determine ao Palácio do Planalto, à Acadêmicos de Niterói e à Liga Independente de Escolas de Samba do Rio (Liesa) que apresentem informações sobre:

  1. Despesas com dinheiro público federal
  2. Reuniões de integrantes do governo com representantes da agremiação

Segundo Cavalcante, o bolsonarismo espera que a chegada de Nunes Marques e André Mendonça ao comando do TSE resulte em julgamentos com "imparcialidade" — o que, na visão da oposição, não ocorreu na eleição de 2022. O ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado à inelegibilidade com base em uma reunião com embaixadores estrangeiros em que desacreditou as urnas eletrônicas e na convocação de apoiadores para o desfile de 7 de Setembro daquele ano.

Contexto político e declarações de líderes da oposição

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República e que tem se aproximado das intenções de voto de Lula a cada nova pesquisa, encontra-se no centro deste cenário político. Coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), foi enfático em suas declarações.

"Queremos isenção do TSE. A preocupação sempre foi com isonomia e que a lei seja aplicada de forma linear para todo mundo. Temos a certeza e a expectativa que Kassio Nunes Marques e André Mendonça e os demais ministros vão se comportar com isenção, o que de fato não ocorreu em 2022", afirmou Marinho.

O senador ainda lembrou a decisão do TSE em 2022 sobre um documentário da produtora Brasil Paralelo: "De forma absolutamente lamentável e desonrosa para a memória da política brasileira, se praticou censura prévia. O presidente Bolsonaro foi obrigado a não veicular notícias públicas de que havia sentimento de amizade e cumplicidade entre o presidente Lula e as ditaduras sanguinárias de Nicolás Maduro na Venezuela, Fidel Castro em Cuba e Daniel Ortega na Nicarágua. Fomos cerceados no nosso direito de liberdade de expressão".

A aposta do bolsonarismo na nova cúpula do TSE representa uma estratégia de longo prazo que busca não apenas reverter decisões específicas sobre o desfile carnavalesco, mas alterar o equilíbrio de forças dentro do principal tribunal eleitoral do país em um ano que antecede novas eleições presidenciais.