Trump Revisa Tarifas sobre Aço e Alumínio em Meio a Preocupações com Custo de Vida
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está considerando reduzir algumas tarifas sobre produtos de aço e alumínio, conforme revelado pelo jornal britânico Financial Times nesta sexta-feira (13). A informação, baseada em fontes próximas ao assunto, indica que autoridades do Departamento de Comércio e do escritório do representante comercial dos EUA acreditam que essas tarifas estão prejudicando os consumidores ao elevar os preços de itens essenciais, como formas para tortas e latas de alimentos e bebidas.
Impacto nas Eleições e na Economia Norte-Americana
Com as eleições legislativas de meio de mandato previstas para novembro, as preocupações com o custo de vida têm se tornado um fator crucial para os eleitores em todo o país. Uma pesquisa recente da Reuters em parceria com o Ipsos mostrou que apenas 30% dos norte-americanos aprovaram a maneira como Trump lidou com o aumento do custo de vida, enquanto 59% desaprovaram, incluindo nove em cada dez democratas e um em cada cinco republicanos.
Trump, que impôs tarifas de até 50% sobre as importações de aço e alumínio no ano passado, tem utilizado repetidamente essas medidas como ferramenta de negociação com diversos parceiros comerciais. Agora, segundo o Financial Times, ele iniciou uma revisão de uma lista de produtos afetados pelas taxas, com planos de isentar alguns itens, interromper a expansão das listas e lançar investigações de segurança nacional mais direcionadas a produtos específicos.
Esforços para Demonstrar Ação Econômica
Recentemente, Trump destacou seu histórico econômico na cidade de Detroit, em Michigan, com o objetivo de redirecionar a atenção para a indústria manufatureira dos EUA e seus esforços para combater os altos custos ao consumidor. A Casa Branca busca demonstrar que está lidando ativamente com as preocupações econômicas que afligem as famílias norte-americanas, em um contexto de pressão política crescente.
No ano passado, o Departamento de Comércio dos EUA aumentou as tarifas sobre o aço e o alumínio em mais de 400 produtos, incluindo turbinas eólicas, guindastes móveis, eletrodomésticos, escavadeiras, vagões ferroviários, motocicletas, motores marítimos, móveis e centenas de outros itens. Essas medidas têm gerado debates sobre seu impacto na inflação e na competitividade industrial.
Impacto das Tarifas no Brasil
O aumento das tarifas promovido por Trump sobre importações de aço, alumínio e derivados entrou em vigor em junho do ano passado, elevando as cobranças de 25% para 50%. Em agosto do mesmo ano, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, participou de uma reunião na Câmara dos Deputados com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), para discutir projetos de interesse do comércio exterior brasileiro.
Na ocasião, Alckmin anunciou que o Departamento de Comércio dos EUA havia enquadrado exportações que contêm aço e alumínio na Seção 232 do Ato de Expansão Comercial. Com isso, alguns produtos de aço e alumínio do Brasil passaram a pagar a mesma tarifa de outros países, melhorando a competitividade dos manufaturados nacionais.
"Fizemos a conta e dá US$ 2,6 bilhões de inserção de aço e alumínio nas exportações brasileiras, de US$ 40 bilhões de dólares, ou seja, 6,4% das exportações saem dos 50% e vão para a sessão do 232, o que torna igual nossa competitividade com o resto do mundo. Isso vai dar uma melhor na competitividade industrial", afirmou Alckmin na época, destacando os benefícios para a economia brasileira.
A Casa Branca e o Departamento de Comércio não responderam imediatamente aos pedidos de comentários da Reuters fora do horário comercial normal, deixando questões em aberto sobre os detalhes e o cronograma das possíveis reduções tarifárias.