Correios projetam prejuízo recorde de R$ 9,1 bilhões em 2026, superando expectativas
Correios: prejuízo de R$ 9,1 bi em 2026 supera projeções

Correios enfrentam prejuízo bilionário projetado para 2026, superando expectativas anteriores

Os Correios, empresa estatal brasileira, projetam um prejuízo financeiro de impressionantes R$ 9,1 bilhões para o ano de 2026, conforme estimativas divulgadas pela própria diretoria da companhia. Esta informação, antecipada pelo portal de notícias G1, revela um cenário preocupante para a instituição, que já enfrenta desafios estruturais significativos.

Plano de reestruturação mostra pouca eficácia diante do aumento das perdas

Se confirmado, o valor projetado para 2026 será substancialmente maior do que as perdas de R$ 5,8 bilhões com as quais a estatal deve encerrar o exercício de 2025. É importante destacar que o rombo do ano passado poderia ter sido ainda mais expressivo, caso a companhia não tivesse optado por adiar o pagamento de algumas obrigações financeiras.

O aumento dos prejuízos previsto pela cúpula dos Correios para 2026 indica claramente a pouca eficácia do plano de reestruturação apresentado em meados de outubro e detalhado em dezembro. Nas duas ocasiões, a empresa se comprometeu publicamente a cortar despesas operacionais, diversificar fontes de receita e recuperar a capacidade financeira necessária para quitar suas dívidas acumuladas.

Compromissos assumidos e medidas de contenção de custos

Em dezembro, quando as medidas foram consolidadas em um plano de ações que se estende até 2027, os Correios assumiram o compromisso de gerar uma economia anual de R$ 7,4 bilhões. Os cortes de gastos envolvendo aproximadamente 15.000 funcionários e o fechamento planejado de 1.000 agências em todo o país responderiam por R$ 4,2 bilhões desse montante total. Paralelamente, o aumento de receitas, através de novas estratégias comerciais, aportaria mais R$ 3,2 bilhões ao caixa da empresa.

Contexto político e decisões que impactaram a saúde financeira

Retirada do programa de privatização pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva logo após o início de seu terceiro mandato, os Correios se tornaram uma das maiores dores de cabeça do Palácio do Planalto e um símbolo evidente da ineficiência estatal. Além das mudanças estruturais em seu mercado tradicional, impulsionadas pelo aumento da concorrência de empresas privadas de entrega e a redução drástica no volume de correspondências físicas em tempos de adoção em massa de meios eletrônicos de comunicação, como e-mails e aplicativos de mensagem, os Correios também sofrem com a ingerência política e decisões administrativas que comprometeram profundamente sua saúde financeira.

Em novembro de 2024, por exemplo, a estatal concordou em injetar R$ 7,6 bilhões no Postalis, o fundo de previdência dos seus funcionários. Esta quantia cobre metade dos R$ 15 bilhões das perdas reportadas pelo fundo. O montante remonta aos prejuízos sofridos pelo Postalis com investimentos realizados entre 2011 e 2016, durante o governo de Dilma Rousseff. As perdas iniciais, que somavam R$ 4,7 bilhões, foram corrigidas ao longo dos anos e se transformaram em uma verdadeira bola de neve financeira.

Negociações de empréstimos e veto do Tesouro Nacional

Para cobrir o rombo operacional e o aporte significativo no Postalis, os Correios chegaram a negociar, no fim do ano passado, um empréstimo de R$ 20 bilhões com um consórcio de bancos. Contudo, esta operação foi vetada pelo Tesouro Nacional, que entraria como fiador, por considerá-la excessivamente cara – equivalente a 136% do CDI, o que corresponde a aproximadamente 20% ao ano. Nos últimos dias de dezembro, após intensas negociações, a companhia conseguiu finalmente fechar um empréstimo de R$ 12 bilhões com o mesmo pool de bancos, em condições consideradas mais favoráveis.

O cenário financeiro dos Correios permanece altamente desafiador, com a projeção de prejuízo recorde para 2026 colocando em xeque a eficácia das medidas de reestruturação anunciadas e destacando a complexidade da gestão de uma empresa estatal em um mercado cada vez mais competitivo e digitalizado.