Amazonas celebra redução histórica da pobreza com ascensão social de mais de 15% da população
O Amazonas vive um momento transformador em seu panorama socioeconômico, com mais de 15% dos moradores do estado deixando a linha da pobreza entre 2022 e 2024 e migrando para faixas de renda mais elevadas. Esta é a conclusão de um levantamento abrangente realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), que revela uma mudança estrutural na distribuição de renda no estado mais populoso da região Norte.
Crescimento expressivo das classes média e alta
Os números são impressionantes: a população amazonense nas classes A, B e C saltou de 45,42% para 60,63% em apenas dois anos, representando um crescimento superior a 15% no período analisado. Este avanço supera a média nacional, onde mais de 17,4 milhões de brasileiros saíram da pobreza no mesmo intervalo, correspondendo a um progresso de 8,44% em todo o país.
A pesquisa estabelece parâmetros claros para classificação social:
- Classe A: renda familiar acima de 20 salários mínimos
- Classe B: renda entre 10 e 20 salários mínimos
- Classe C: renda entre 4 e 10 salários mínimos
Histórias reais de transformação
Rojefferson Moraes, morador da Zona Norte de Manaus, personifica esta mudança estrutural. Funcionário público e primeiro da família a concluir o ensino superior, ele percorreu um caminho árduo antes de alcançar estabilidade financeira. "Eu já vendi balas de mangarataia no ônibus, picolé na rua, fiz pão", relembra. Hoje, além do trabalho formal, coordena um instituto que apoia moradores da comunidade, iniciativa que durante a pandemia distribuía cestas básicas e estimulou o empreendedorismo local.
O levantamento da FGV reforça a percepção do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome de que parte significativa das pessoas que antes dependiam de programas sociais como o Bolsa Família melhorou substancialmente sua condição financeira, alcançando autonomia econômica.
Desafios persistentes na região Norte
Para a professora Paula Ramos, do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), os dados são positivos mas não eliminam os obstáculos estruturais. "Apesar do crescimento, ainda há uma grande vulnerabilidade social", afirma a especialista, destacando que a região Norte continua enfrentando níveis elevados de vulnerabilidade que se refletem no baixo nível educacional e na dificuldade de acesso a empregos formais ou de maior qualificação.
Impacto econômico positivo e perspectivas futuras
Márcio Paixão, presidente do Conselho Regional de Economia da 13ª Região (Corecon-AM), avalia que o aumento da renda média das famílias tem efeito direto e multiplicador na economia local. "Mais renda significa maior consumo no comércio e nos serviços, o que amplia a arrecadação de tributos e permite mais investimentos em serviços públicos", explica. Segundo ele, este é um impacto positivo que tende a crescer com o tempo, criando um ciclo virtuoso de desenvolvimento.
Enquanto acompanha estes dados promissores, Rojefferson Moraes já faz planos para o futuro. Com a família crescendo, ele espera continuar avançando profissionalmente e academicamente, com planos de mestrado na área da educação. "Estou bem esperançoso. Espero que as pessoas consigam ter uma renda melhor. Agora já penso até na compra de um carro", compartilha, ilustrando como a melhoria nas condições financeiras abre novas possibilidades para milhares de amazonenses.
Este movimento de ascensão social no Amazonas representa não apenas números estatísticos, mas histórias reais de superação e transformação que estão remodelando o tecido social do estado, oferecendo novas perspectivas para gerações que antes enfrentavam barreiras quase intransponíveis para alcançar melhores condições de vida.