Homem agride mulheres muçulmanas e arranca hijab em shopping de Foz do Iguaçu
Ataque a mulheres muçulmanas em shopping de Foz do Iguaçu

Ataque de intolerância religiosa em shopping de Foz do Iguaçu

Câmeras de segurança registraram um ataque violento de intolerância religiosa ocorrido na tarde de quinta-feira (12) em uma loja de shopping center em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná. O agressor, identificado como Augusto César Vieira, de 33 anos, atacou duas mulheres muçulmanas, desferindo socos e arrancando o hijab de uma das vítimas durante a agressão.

Violência gravada por câmeras de segurança

Nas imagens registradas pelas câmeras de vigilância, é possível observar o momento em que o homem entra na loja e inicia uma discussão verbal com as duas mulheres. A situação rapidamente escalona para violência física quando Vieira começa a agredir uma das vítimas com socos. Quando a segunda mulher tenta intervir, ela também passa a ser alvo das agressões.

Testemunhas que estavam no local tentaram chamar os seguranças do estabelecimento enquanto as agressões continuavam. Em um dos momentos mais chocantes do ataque, o agressor arrancou o hijab de uma das mulheres, peça de vestuário islâmica usada como expressão de fé religiosa por muitas muçulmanas.

Vítimas estrangeiras e prisão em flagrante

As duas mulheres agredidas são estrangeiras - uma de nacionalidade libanesa e outra síria - e fazem parte da comunidade árabe de Foz do Iguaçu, cidade que possui a segunda maior comunidade árabe do Brasil. Ambas sofreram ferimentos e precisaram de atendimento médico após o incidente.

Com a chegada dos seguranças do shopping, o agressor ergueu os braços, deixou a loja e dirigiu-se para a saída do estabelecimento comercial. Do lado de fora, ele foi parado por testemunhas antes de ser detido. Augusto César Vieira foi levado à Central de Flagrantes da 6ª Subdivisão Policial, onde foi autuado em flagrante pelos crimes de lesão corporal e racismo.

Histórico de comportamento discriminatório

Segundo informações do delegado Geraldo Evangelista, o suspeito tem histórico de comportamento discriminatório contra a comunidade muçulmana local. Registros policiais indicam que ele já teria interrompido celebrações religiosas na mesquita da cidade e se envolvido em pelo menos três ocorrências relacionadas a discriminação nos anos de 2018, 2024 e 2025.

Em depoimento, tanto as vítimas quanto testemunhas relataram que o homem proferiu xingamentos de cunho discriminatório durante o ataque. Pela legislação brasileira, casos de intolerância religiosa podem ser enquadrados como crime de racismo, com pena que varia de dois a cinco anos de reclusão, além de multa. O crime é considerado inafiançável e não prescreve, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal.

Audiência de custódia e prisão preventiva

Nesta sexta-feira (13), Augusto César Vieira passou por audiência de custódia, na qual a Justiça converteu o flagrante em prisão preventiva. Em sua decisão, a magistrada destacou que "a contenção cautelar do indiciado se faz necessária para a garantia da ordem pública, pois o crime em tese praticado revela gravidade concreta".

A juíza ainda ressaltou que o crime aconteceu em "local de grande movimento e em que sabidamente há inúmeras câmeras de vigilância; e, mesmo assim, o preso, num ato completamente injustificável, invadiu uma loja e agrediu duas muçulmanas que ali estavam". O documento judicial também mencionou que ambas as vítimas estavam com o véu, "símbolo da religião para várias mulheres, o que facilita a sua identificação por quem não é da comunidade".

Defesa alega condições psiquiátricas

Em depoimento à polícia, Augusto César Vieira afirmou que tem Transtorno do Espectro Autista (TEA), usa medicações e apresenta problemas psiquiátricos. A família do agressor apresentou um relatório psicológico assinado por uma psicóloga, que afirma que em "situações de estresse ou frustração, observa-se intensificação de pensamentos de conteúdo persecutório, aumento de ansiedade e impulsividade, podendo ocorrer comportamentos agressivos durante episódios de crise".

A defesa de Augusto anexou aos autos do processo um laudo que atesta que o agressor apresenta autismo leve a moderado e faz acompanhamento psicológico e psiquiátrico. No entanto, conforme a decisão que manteve Augusto preso, o próprio médico atesta que ele abandonou o tratamento medicamentoso em janeiro deste ano.

O documento judicial foi enfático ao afirmar que "o autismo não é desculpa para o que aconteceu. O próprio médico psiquiatra atesta que houve interrupção unilateral do tratamento, de modo que a comunidade iguaçuense não pode ficar à mercê da boa vontade do flagrado em se medicar". A decisão ainda destacou que "seu histórico de perseguição aos que professam o islamismo remonta a 2018" e que "a truculência empregada contra as vítimas não autoriza que o quadro clínico de Augusto César, neste momento, retire-o da prisão".

O advogado que acompanhou Augusto no depoimento à polícia afirmou que não está habilitado nos autos do processo, deixando a situação jurídica do agressor ainda em definição.