Tragédia em Manaus: Criança de 4 anos morre após agressões da mãe e madrasta, que já tinham histórico violento
Criança morta em Manaus: mãe e madrasta com histórico violento

O que leva alguém a tirar a vida de uma criança de quatro anos? Essa pergunta, angustiante e complexa, ecoa pelas ruas de Manaus após a morte brutal do pequeno Davi de Oliveira. A polícia confirmou o que muitos temiam: a mãe biológica, Jéssica Oliveira, e a madrasta, Adriana Freitas, já tinham um histórico sombrio de agressões contra o menino.

Parece inacreditável, mas não é. As duas mulheres, que deveriam ser porto seguro, foram as próprias autoras do terror doméstico. O pequeno Davi não resistiu aos ferimentos – um trauma craniano gravíssimo – e morreu no Hospital e Pronto Socorro Dr. Platão Araújo, na Zona Leste da cidade.

Histórico que não engana

O delegado Fábio Mendes, da Divisão de Homicídios (DH), não hesita: "Já tínhamos conhecimento de denúncias anteriores envolvendo maus-tratos contra essa mesma criança". A sensação é de que o sistema falhou redondamente. Como é que um caso assim escorrega pelas brechas da proteção social?

As investigações mostram um padrão de violência que não começou naquela terça-feira. Era coisa de todo dia, uma rotina perversa que culminou na tragédia. As duas acabaram presas em flagrante por feminicídio – sim, feminicídio, porque a lei prevê quando o crime envolve violência doméstica.

As versões que não colam

No início, tentaram empurrar a história de que a criança tinha caído da cama. Quem já viu uma queda de cama causar traumatismo craniano grave? Os peritos do Instituto Médico Legal (IML) não engoliram a versão – e os exames comprovaram a brutalidade das agressões.

O que mais revolta é que Davi já estava com o corpo cheio de hematomas antigos. Marcas que contavam uma história silenciosa de sofrimento prolongado. A vizinhança, aqueles que ouviam gritos e choros, agora se perguntam se não deveriam ter feito mais.

Justiça começa a agir

O juiz Rafael Prestes, da Vara de Crimes contra a Vida, decretou a prisão preventiva das duas. Na decisão, foi direto ao ponto: há risco real de elas fugirem ou, pior, atrapalharem as investigações. A defensoria pública já foi acionada, mas a comoção social é tanta que dificilmente conseguirão algum benefício.

Enquanto isso, no conjunto Viver Melhor, onde aconteceu a tragédia, o silêncio pesa. Os vizinhos ainda tentam processar o horror que se desenrolou ao lado. Uma senhora, que preferiu não se identificar, confessou: "A gente ouvia uns barulhos, mas nunca imaginou que era coisa dessa magnitude".

O caso agora segue sob o comando do delegado Fábio Mendes, que promete esgotar todas as linhas de investigação. A pergunta que fica: quantos outros Davís estão sofrendo em silêncio atrás das portas fechadas de Manaus?