Tragédia em Salvador: Advogado mata companheira e comete suicídio em cena de horror doméstico
Advogado mata companheira e se suicida em Salvador

Aquele domingo, 30 de agosto, começou como qualquer outro no tranquilo bairro de Patamares. Mas o que se desenrolou dentro de um apartamento na Rua Abelardo Bueno seria qualquer coisa menos normal. Um silêncio pesado pairava no ar – aquele tipo de quietude que vem antes da tempestade.

Por volta das 11h20, a vizinhança ouviu gritos abafados. Ninguém poderia imaginar a cena de horror que se desdobrava atrás daquela porta fechada. Um drama particular que terminaria em tragédia coletiva.

O descobrimento macabro

Quando a polícia chegou ao local, após chamados preocupados de moradores, deparou-se com algo digno de pesadelo. Dois corpos sem vida, um ao lado do outro, contando uma história que ninguém teria chance de ouvir completa.

Ela, uma mulher de 46 anos, jazia no chão da sala com múltiplos ferimentos de faca. Ele, um advogado de 50 anos, estava próximo – uma faca ensanguentada ainda em suas mãos, e um único corte profundo no pescoço que contava toda a história.

As peças quebradas do quebra-cabeça

Os investigadores, com aquela expressão cansada de quem já viu demais, começaram a juntar os fragmentos. Testemunhas relataram discussões violentas nas últimas semanas. Coisas sobre ciúmes, sobre dinheiro, sobre aquelas pequenas misérias humanas que às vezes explodem em grandiosas tragédias.

Não havia sinais de arrombamento. Nada foi roubado. A porta estava intacta. Tudo indicava que o assassino e a vítima se conheciam intimamente – porque qual estranho você deixa entrar na sua casa num domingo de manhã?

"Cenas como estas destroçam a alma de qualquer profissional", comentou um dos peritos criminalísticos no local, com a voz embargada pela emoção contida. "São sempre os casos mais difíceis, aqueles onde o agressor e a vítima compartilhavam uma vida."

O peso do silêncio

Vizinhos, agora reunidos do lado de fora com expressões entre o choque e a culpa, perguntavam-se se poderiam ter feito algo diferente. Se aquela discussão mais alta na noite anterior deveria ter sido levada mais a sério. Se aquele silêncio súbito da manhã era um sinal de que algo terrível havia acontecido.

O apartamento, agora isolado pela fita amarela da polícia, parecia gritar uma verdade que ninguém queria ouvir: a violência doméstica muitas vezes acontece atrás de portas fechadas, em casas de classe média, envolvendo pessoas «respeitáveis» da sociedade.

Um final previsível demais

Os investigadores não precisaram de grandes esforços para reconstruir a sequência dos eventos. Tudo apontava para o cenário mais clássico – e trágico – dos crimes passionais: discussão, explosão de violência, e depois o silêncio final do perpetrador.

O advogado, um profissional que deveria defender a lei, decidiu se tornar juiz, júri e carrasco da própria relação. E depois, incapaz de viver com o que havia feito, escolheu a saída mais covarde.

Os corpos foram levados para o Departamento de Polícia Técnica (DPT) para autópsia. Um procedimento burocrático que parece tão insuficiente diante da magnitude da perda humana.

Enquanto isso, em algum lugar, famílias destroçadas choram a pergunta que nunca terá resposta: por quê? Por que a violência instead of o diálogo? Por que a morte instead of a separação?

Salvador, cidade conhecida por sua alegria contagiante, agora carrega mais uma cicatriz. E a gente se pergunta quantas tragédias silenciosas ainda estão por vir antes que a sociedade enfrente de verdade esse monstro da violência doméstica.