
Era praticamente a última cartada da defesa — e não deu certo. Nesta quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal enterrou de vez as esperanças de Robinho respirar ar livre. Por unanimidade, os ministros mantiveram o ex-artilheiro atrás das grades, rejeitando um recurso que pedia sua soltura.
Não foi surpresa, diga-se. A votação foi rápida e direta, sem espaço para dúvidas. O relator, ministro Luiz Fux, já havia sinalizado que não via brecha legal para soltura. E os demais acompanharam, num daqueles raros consensos que acontecem no plenário.
O crime que não prescreve — nem no Brasil, nem na Itália
Robinho foi condenado em 2017 pela Justiça italiana pelo crime de estupro coletivo — ocorrido em 2013, contra uma mulher albina. Como o Brasil não extradita seus nacionais, a Itália pediu — e obteve — a execução da pena por aqui. Nove anos de prisão, que agora estão sendo cumpridos na Penitenciária de Tremembé, no interior paulista.
O caso é polêmico, complexo e cheio de idas e vindas. A defesa sempre alegou inconsistências no processo italiano e tentou de tudo — até argumentos sobre suposta violação de soberania. Mas o STF já havia chancelado a validade da condenação estrangeira em maio, abrindo caminho para a prisão.
E agora, José?
Com a negativa do Supremo, Robinho esgotou as principais instâncias recursais. Ainda cabem alguns embargos, mas são manobras técnicas — e com pouquíssimo potencial para reverter o quadro. A menos que algo absolutamente extraordinário aconteça, ele deve cumprir a pena integralmente.
Não é todo dia que um ídolo do futebol — alguém que já vestiu a camisa da Seleção e marcou gols em Copa do Mundo — termina seus dias num presídio. Mas a justiça, ao menos desta vez, parece não fazer distinção entre craques e cidadãos comuns.
O caso abre precedentes — e discussões. Até onde vai a cooperação jurídica internacional? Como fica a soberania nacional perante condenações no exterior? São perguntas que ainda ecoarão nos tribunais — e na sociedade.
Por enquanto, porém, uma coisa é certa: Robinho não joga mais. Nem em campo, nem na justiça.