
Quatro anos. Quatro longos anos de pesadelo judicial que pareciam não ter fim. E agora, finalmente, o veredicto: inocente.
Imagina só carregar nas costas a acusação de ter matado quem você ama? Foi exatamente esse fardo que uma jovem de 22 anos enfrentou desde 2021, quando o namorado faleceu em circunstâncias trágicas - e absolutamente imprevisíveis.
A história começa numa noite comum, daquelas que jamais imaginariam terminar em tragédia. Ele, um jovem de 24 anos, manuseava uma agulha de narguilé quando, num descuido momentâneo, o objeto perfurou seu peito. Um acidente bobo, desses que a gente nunca acha que vai dar em nada grave.
Mas deu. E como deu.
O longo calvário judicial
O que se seguiu foi um inferno astral jurídico que durou mais de mil dias. A promotoria tentou emplacar a tese de homicídio doloso - aquela intenção de matar, sabe? Só que as provas... bem, as provas simplesmente não fechavam a história.
Duas perícias técnicas entraram em cena e cravaram: foi acidente mesmo. A tal da agulha atingiu o coração do jovem, causando um tamponamento cardíaco. Coisa de cinema, mas aconteceu na vida real, em Goiás.
O defensor público Everton Vieira, que acompanhou o caso, foi enfático: "As provas técnicas demonstravam a materialidade do fato, mas não havia nenhum indício de que ela tivesse agido com dolo".
As marcas que não saem
Mesmo absolvida, a moça sabe que algumas coisas a justiça dos homens não apaga. "Acho que nunca vou encontrar paz", confessa ela, com uma honestidade que corta o coração.
O psicológico dela ficou todo arrebentado. Crises de ansiedade, pânico, aquele sentimento constante de estar sendo julgada onde quer que vá. E olha que ela nem pode fazer terapia direito - não tem grana para isso.
"Todo mundo me olhava como se eu fosse um monstro", desabafa. "Perdi amigos, oportunidades de trabalho... Até hoje, quando entro em algum lugar, sinto que as pessoas estão me encarando".
E agora, José?
Com a absolvição, tecnicamente ela está livre. Mas como seguir em frente quando sua história ficou marcada por uma tragédia dessas?
Ela tenta reconstruir a vida aos poucos. Trabalha, estuda, mas confessa que o fantasma do ocorrido ainda a assombra diariamente. "Só quero que as pessoas entendam que foi um acidente", diz, com voz cansada. "Eu amava ele. Nunca faria mal".
O caso, que rodou a Vara do Júri de Anápolis, serve como daqueles alertas dramáticos: as vezes, a justiça tarda, mas acaba chegando. Só que as cicatrizes... essas ficam para sempre.