Desidratação no verão: risco silencioso para pacientes com câncer
Verão e câncer: desidratação é risco silencioso

Com as ondas de calor cada vez mais intensas no verão brasileiro, um alerta importante se destaca para pacientes em tratamento oncológico: o risco elevado de desidratação. Este não é apenas um desconforto, mas uma condição que pode impactar diretamente a resposta às terapias contra o câncer.

Por que pacientes oncológicos são mais vulneráveis?

O médico oncologista Ramon Andrade de Mello explica que a combinação de fatores torna esse grupo especialmente sensível. Alterações no metabolismo, efeitos colaterais dos tratamentos e, frequentemente, uma redução no apetite e na ingestão de líquidos criam um cenário propício para a perda hídrica.

O paciente com câncer muitas vezes consome menos líquidos e alimentos devido a náuseas, dor, mucosite, fadiga ou mudanças no paladar. Paralelamente, pode apresentar perdas aumentadas por suor excessivo, diarreia, vômitos ou febre. Além disso, o metabolismo alterado exige mais água para processos vitais como cicatrização, imunidade e eliminação de metabólitos dos medicamentos.

Consequências graves da desidratação

A desidratação funciona como um efeito dominó silencioso. Ela não afeta apenas o bem-estar geral, mas pode comprometer seriamente a resposta ao tratamento. Em períodos de calor intenso, os riscos se ampliam.

Entre os desdobramentos perigosos relacionados estão a sobrecarga ou insuficiência renal, especialmente em pacientes submetidos a quimioterapia ou imunoterapia. Desequilíbrios eletrolíticos podem levar a fraqueza, confusão mental e até arritmias cardíacas. Há ainda um aumento da fadiga, da intolerância ao tratamento e do risco de infecções.

Estratégias de hidratação para cada tipo de tratamento

A atenção à hidratação deve ser contínua e individualizada. Para pacientes que passaram por cirurgia, a hidratação é uma aliada fundamental na recuperação. A recomendação é manter uma ingestão fracionada de líquidos ao longo do dia, priorizando água, água de coco, caldos leves e, quando indicado, suplementos nutricionais líquidos, sempre com supervisão da equipe de saúde.

Pacientes em quimioterapia estão entre os mais suscetíveis. Para vencer náuseas e alterações no paladar, estratégias como oferecer líquidos gelados, bebidas levemente aromatizadas, frutas ricas em água e sorvetes de frutas naturais podem facilitar a aceitação.

No caso da radioterapia, o risco é maior para quem trata regiões como cabeça, pescoço, tórax e abdômen, onde são comuns inflamações e dificuldade para engolir. A orientação é fracionar ao máximo a ingestão, com pequenos goles a cada 10 ou 15 minutos, preferindo líquidos frios ou gelados, que aliviam a inflamação da mucosa. Frutas com alto teor de água e pouco ácidas, como melão, melancia e pera, são boas opções.

Para quem está em imunoterapia, a principal dica é manter um equilíbrio hídrico adequado e não esperar sentir sede para se hidratar. A sede já é um sinal de que o corpo está começando a ficar desidratado.

Recomendações gerais para o verão

Independentemente do tipo de tratamento, algumas medidas são universais durante os dias quentes. É fundamental priorizar ambientes frescos e evitar a exposição ao sol nos horários de pico, entre 10h e 16h.

Fique atento aos sinais de alerta: urina escura, tontura, boca seca e cansaço excessivo são indicativos de que a hidratação pode estar insuficiente. A orientação final e mais importante é seguir sempre as recomendações da equipe multiprofissional que acompanha o caso, especialmente de nutricionistas e médicos.

A vigilância com a hidratação é um cuidado simples, mas poderoso, que pode fazer uma diferença significativa no conforto e na eficácia do tratamento oncológico durante o verão.