Uma tragédia familiar chocou o município de União do Oeste, no Oeste de Santa Catarina, nesta sexta-feira, 9 de fevereiro. Uma mãe e sua filha adolescente foram vítimas de feminicídio, supostamente praticado pelo marido e pai da família. O suspeito também morreu após um confronto com policiais militares.
Detalhes da tragédia em União do Oeste
As vítimas foram identificadas como Juvilete Kviatkoski, de 37 anos, e sua filha, Mariana Vitória Cuochinski, de apenas 15 anos. O autor do crime, segundo a Polícia Civil, era Jair Cuochinski, de 46 anos, marido de Juvilete e pai de Mariana. A família, descrita como unida por parentes, residia junta na pequena cidade de aproximadamente 2,9 mil habitantes.
O ataque ocorreu por volta das 10h da manhã. A Polícia Militar foi acionada após receber denúncias de um crime em andamento em uma residência, onde já eram visíveis marcas de sangue na área externa. Ao adentrar o imóvel, os policiais se depararam com Jair portando uma faca.
Confronto fatal e descoberta do crime
O homem não obedeceu à ordem para largar a arma e avançou contra os agentes. Diante da ameaça iminente, um dos policiais efetuou um disparo para conter a agressão. O socorro médico foi chamado, mas Jair não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Dentro da casa, a equipe encontrou Juvilete já sem vida, vítima de múltiplos golpes de faca. A adolescente Mariana, também ferida, chegou a ser socorrida por vizinhos, mas não sobreviveu e faleceu no hospital. Durante a varredura do local, os militares encontraram uma vela acesa e todas as bocas do fogão abertas, detalhes que serão investigados pela perícia. A área foi isolada para os trabalhos da Polícia Científica.
Vidas interrompidas e luto na comunidade
Parentes e amigos compartilharam a dor da perda nas redes sociais. A prima da família, Maria Domingas, contou ao g1 que Juvilete era professora na Escola de Educação Básica São Luiz, e Mariana jogava futebol e ajudava na liturgia da igreja. “A família era bem unida, não havia relatos de problemas entre eles. O Jair trabalhava como pedreiro... Ela era uma pessoa boa e dedicada em tudo o que fazia, e a Mariana um doce de menina”, lamentou.
A irmã de Juvilete expressou sua dor em uma publicação: “Hoje meu coração está em pedaços. Perdemos minha irmã Juve e minha sobrinha... A dor é profunda, inexplicável”. A Comunidade Católica São Luiz Rei da França, onde ambas eram atuantes, emitiu uma nota de solidariedade. Juvilete era catequista e integrava a equipe litúrgica, enquanto Mariana participava desde pequena como franciscaninha e depois também na liturgia.
A Prefeitura de União do Oeste decretou luto oficial de três dias pelas mortes. O velório das vítimas será realizado separadamente: Juvilete e Mariana serão veladas em Nova Erechim, enquanto o corpo de Jair ficará na comunidade Barra da Europa, interior do município.
Investigações em andamento
O Comando do 2º Batalhão de Polícia Militar de Fronteira informou que as circunstâncias do confronto serão apuradas em um Inquérito Policial Militar (IPM). Paralelamente, a Polícia Civil investiga a motivação precisa do crime de feminicídio duplo, que deixou uma comunidade inteira em estado de choque e luto.