Estudante maranhense recebe polilaminina após acidente de moto em procedimento experimental
O estudante de Agronomia Hector Lucena, de 26 anos, natural de Balsas, no interior do Maranhão, tornou-se o segundo paciente do estado a receber a polilaminina em um procedimento experimental realizado neste sábado (21), no Hospital Alvorada, em Imperatriz. O jovem perdeu o movimento das pernas após sofrer um acidente de moto em 23 de novembro de 2025, enfrentando uma corrida contra o tempo para participar do estudo clínico.
Corrida judicial para tratamento inovador
Como o protocolo oficial da pesquisa exige que a aplicação da substância seja realizada dentro de um prazo máximo de 72 horas após o trauma, a família de Hector precisou recorrer à Justiça para garantir sua inclusão no experimento. A intervenção judicial foi fundamental para viabilizar o acesso ao tratamento potencialmente revolucionário, destacando os desafios burocráticos enfrentados por pacientes com lesões medulares agudas.
O que é a polilaminina e como funciona
A polilaminina representa o resultado de mais de duas décadas de pesquisa científica desenvolvida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob a liderança da bióloga Tatiana Sampaio. O composto consiste em uma versão laboratorialmente recriada da laminina, uma proteína naturalmente presente no desenvolvimento embrionário humano que desempenha um papel crucial na conexão entre neurônios.
O médico pesquisador Olavo Borges explicou com cautela: "Esses estudos regulatórios visam mensurar a eficácia da medicação. Só depois de concluídas essas fases poderemos definir o benefício real. No momento, estamos em desenvolvimento e existem informações a serem reveladas e a eficácia a ser estabelecida".
Preparação meticulosa e equipe especializada
A preparação para o procedimento experimental exigiu um período de 15 dias de cuidados específicos. A aplicação da polilaminina foi supervisionada por uma equipe médica especializada, incluindo a presença de um neurocirurgião vindo diretamente do Rio de Janeiro e do médico pesquisador responsável pelo desenvolvimento do composto. Todos os dados coletados durante e após o procedimento serão incorporados à pesquisa ampla que avalia o comportamento da substância em pacientes com lesões medulares traumáticas.
Primeiro caso maranhense: PM baleado mostra sinais de melhora
O primeiro paciente do Maranhão a receber a polilaminina foi o policial militar Romildo Leobino, de 46 anos, vítima de um tiroteio durante uma operação contra o tráfico de drogas em Bom Jardim. Baleado no pescoço, Romildo também necessitou de uma liminar judicial para receber o tratamento, já que a aplicação ocorreu 28 dias após o trauma, ultrapassando significativamente o prazo de 72 horas estabelecido pelo protocolo.
Menos de uma semana após o procedimento realizado no Hospital do Servidor, em São Luís, familiares e equipe médica relataram os primeiros sinais encorajadores de melhora. Entre eles destacam-se contrações musculares nas mãos e pernas, retirada bem-sucedida da sonda urinária e progressos no controle do tronco. O filho do policial, Vinicius Henrique, compartilhou vídeos nas redes sociais documentando parte dessa evolução inicial.
Perspectivas futuras e estudos em andamento
Embora estudos anteriores no Brasil tenham registrado resultados positivos, incluindo o caso notável de um paciente tetraplégico que recuperou movimentos corporais, os pesquisadores mantêm uma postura cautelosa. A técnica com polilaminina continua em fase de desenvolvimento e avaliação rigorosa, com o objetivo final de estabelecer sua eficácia real e segurança para pacientes com lesões medulares.
Os casos de Hector Lucena e Romildo Leobino ilustram não apenas a esperança depositada em avanços científicos, mas também os complexos desafios legais, logísticos e médicos envolvidos no acesso a tratamentos experimentais em situações de urgência. A comunidade científica acompanha com atenção os desdobramentos desses casos maranhenses, que podem contribuir significativamente para o entendimento da regeneração neuronal após traumas medulares.