Irã emite alerta sobre bases militares dos EUA após pedir desculpas a nações vizinhas
Após realizar um pedido formal de desculpas aos países vizinhos que foram atingidos durante sua retaliação aos ataques de Israel, o Irã divulgou neste sábado, 7 de março de 2026, um comunicado oficial nas redes sociais. O documento adverte de maneira enfática que abrigar bases militares para operações dos Estados Unidos constitui uma violação clara do direito internacional e representa uma "violação da soberania e da integridade territorial" do país persa.
Justificativa baseada na Carta da ONU
No comunicado publicado na plataforma X, anteriormente conhecida como Twitter, o governo iraniano deixou explícito que nenhuma nação deve permitir que seu território ou instalações sejam utilizados para ataques contra o Irã. A ação militar coordenada pelos Estados Unidos e Israel, que teve início em 28 de fevereiro, foi justificada pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump como uma medida preventiva para impedir que o Irã desenvolvesse uma arma nuclear.
O texto oficial afirma que os bombardeios não se limitaram a alvos militares, causando a morte de altos funcionários e atingindo civis em locais como escolas, hospitais, recintos esportivos, residências particulares e centros de serviços públicos. Segundo o Irã, isso configura uma grave violação de sua soberania nacional.
Exercício do direito à autodefesa
"O Irã realizou operações defensivas necessárias e proporcionais contra bases e instalações utilizadas por agressores na região, exercendo seu direito inerente de autodefesa sob o direito internacional", declarou o governo. A justificativa se baseia especificamente no Artigo 51 da Carta das Nações Unidas, mesmo com críticas à inação do Conselho de Segurança da ONU.
O comunicado reforça que as operações defensivas são legítimas e não são dirigidas contra os países da região ou sua soberania. "Os países da região certamente compreenderam que as bases americanas nos seus territórios não contribuíram para a segurança regional", acrescentou o texto, deixando claro o posicionamento iraniano sobre a presença militar norte-americana.
Pedido de desculpas e promessas futuras
Também neste sábado, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, dirigiu-se à nação em pronunciamento televisivo para pedir desculpas formalmente aos países vizinhos afetados pelos bombardeios iranianos durante o conflito. "De agora em diante, as forças iranianas não irão atacar ou disparar mísseis contra países ao redor, a menos que sejamos atacados por eles", afirmou o líder.
Contudo, apesar dessa declaração, mísseis e drones iranianos continuaram a cruzar os céus das nações do entorno ao longo da última semana. Os ataques atingiram alvos militares ligados aos Estados Unidos em cinco das seis monarquias do Golfo Pérsico: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Bahrein e Kuwait.
Reafirmação de relações amistosas
O governo iraniano buscou acalmar os ânimos ao afirmar que não cultiva inimizades com os países afetados e que os ataques estão diretamente relacionados ao conflito em andamento. "A República Islâmica do Irã mantém o seu compromisso em preservar e expandir relações amistosas com os países da região, baseadas na interação mútua, na boa vizinhança e no respeito pela soberania e integridade territorial de cada um", declarou.
O comunicado finalizou reafirmando que as operações defensivas contra bases e instalações militares dos Estados Unidos na região não devem ser interpretadas como hostilidade para com os países vizinhos, mas sim como uma resposta necessária dentro do contexto do direito internacional à autodefesa.
