O publicitário Marcello Lopes, conhecido como Marcellão, decidiu deixar a coordenação de comunicação da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. A saída ocorreu após uma crise envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e foi anunciada nesta quarta-feira (20). Lopes, que é ex-policial civil e amigo pessoal de Flávio, afirmou que a decisão foi própria e que pretende focar na sua empresa, a Cálix Propaganda.
Contratos milionários com o governo federal
A Cálix Propaganda, criada em 2003, garantiu contratos com o governo federal que somam R$ 99.280.384,44 em faturas empenhadas entre abril de 2022 e maio de 2026. Os dados são do Portal de Compras do Governo Federal. O primeiro contrato, assinado em dezembro de 2021 com o então Ministério do Desenvolvimento Regional, na gestão de Rogério Marinho (PL-RN), prevê até R$ 55 milhões anuais. Sob a atual administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a pasta passou a se chamar Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Marinho, que é líder da oposição no Senado, também é coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro.
O segundo contrato, firmado em maio de 2022 por meio de licitação com o Ministério da Infraestrutura, então comandado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), atual governador de São Paulo, pode custar até R$ 14,97 milhões por ano. A Cálix foi a única participante da licitação. A assinatura formal ocorreu em abril de 2023, devido a trâmites burocráticos, e o contrato foi renovado em 2025 e 2026, com vigência até 2027.
Valores pagos e pendentes
Juntos, os dois contratos geraram faturas empenhadas de R$ 91,8 milhões. Desse total, R$ 39,7 milhões já foram pagos, sendo R$ 22,6 milhões no ano de faturamento e R$ 17 milhões como restos a pagar em anos seguintes. O governo ainda deve R$ 32,9 milhões em notas faturadas para 2026 e R$ 26,7 milhões em faturas de anos anteriores incorporadas a restos a pagar. Com juros e multas por atraso, o valor total devido pode chegar a R$ 7,5 milhões adicionais.
Quatro notas de empenho transformadas em restos a pagar já somam R$ 3,9 milhões a mais do que o empenhado originalmente. A Cálix recebeu seus primeiros contratos federais durante o governo Jair Bolsonaro (PL) e os pagamentos continuaram na gestão Lula.
Saída da campanha
Marcello Lopes deixou a coordenação de comunicação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro após conversas com o senador. O publicitário Eduardo Fischer assumirá o comando da comunicação. Embora a entrada oficial na campanha estivesse prevista para 1º de junho, Lopes já atuava nos bastidores há semanas. A crise com Daniel Vorcaro, que foi preso, motivou a saída.



