O município de Guapiara, localizado a aproximadamente 70 quilômetros de Itapetininga e com cerca de 17 mil habitantes, foi classificado como a cidade com a pior qualidade de vida do estado de São Paulo, de acordo com o Índice de Progresso Social (IPS). A média geral obtida foi de 56,82 pontos. Em todo o Brasil, Guapiara figura na 4.440ª posição entre os municípios avaliados. O levantamento foi divulgado nesta quarta-feira (20) pelo Instituto Imazon.
O que é o IPS?
Publicado anualmente pelo IPS Brasil, o relatório quantifica a qualidade de vida com base em 57 indicadores sociais e ambientais obtidos de fontes públicas. O objetivo é medir a capacidade do poder público em atender às necessidades humanas da população. Segundo a coordenadora do IPS Brasil, Melissa Wilm, o índice avalia resultados, não o volume de investimentos ou riquezas, focando em saber se os serviços públicos estão sendo efetivamente entregues aos cidadãos.
Desempenho de Guapiara nas dimensões do IPS
O IPS é dividido em três grandes dimensões. Na dimensão Necessidades Humanas Básicas, Guapiara alcançou 69,29 pontos, ocupando a 4.049ª colocação nacional. Essa categoria reúne indicadores como alimentação, moradia, saneamento básico, segurança e acesso à saúde.
No eixo Fundamentos do Bem-Estar, o município registrou 63,89 pontos, ficando na 2.694ª posição no país. São analisados indicadores ligados à educação, acesso à informação e internet, saúde e qualidade ambiental.
O pior desempenho foi na dimensão Oportunidades, com apenas 37,27 pontos e a 5.299ª colocação nacional. Esse indicador considera direitos individuais, inclusão social, liberdade pessoal e acesso ao ensino superior.
Dados do Censo 2022
Segundo o Censo 2022 do IBGE, 57% dos moradores de Guapiara vivem sem acesso à rede de água e esgoto, utilizando fossas e rios. Apenas 7,7% das vias públicas são urbanizadas, e somente 26,3% delas possuem arborização, evidenciando baixa qualidade ambiental.
Falta de articulação política
O professor de Relações Internacionais Henrique Cavalcanti de Albuquerque avaliou que a posição de Guapiara pode estar relacionada à baixa representatividade e articulação política junto à Assembleia Legislativa e órgãos estaduais. Ele destacou que a distribuição de recursos obedece a critérios políticos, e uma boa articulação garante mais investimentos.
O professor também apontou que, embora a destinação de recursos envolva articulação política, deveria haver critérios objetivos que priorizem as regiões mais necessitadas. Entre as políticas prioritárias para Guapiara, ele sugere investimentos em infraestrutura rodoviária para facilitar o acesso a serviços e impulsionar a economia local, além de melhorias em educação e saneamento básico.
Papel do Ministério Público e mobilização popular
Cavalcanti reforçou que órgãos como Ministério Público e Defensoria Pública são fundamentais para cobrar melhorias, e que a mobilização popular é essencial para pressionar governos e parlamentares. Ele concluiu que a democracia não se esgota no voto, mas se mantém por todo o mandato, por meio de ações públicas e pressão política.
Como o IPS é calculado
O IPS varia de 0 a 100. Os indicadores são agrupados em três dimensões: Necessidades Humanas Básicas (água, saneamento, moradia, segurança, nutrição e saúde), Fundamentos do Bem-Estar (acesso ao conhecimento, informação, saúde e qualidade ambiental) e Oportunidades (direitos individuais, liberdade de escolha, inclusão social e acesso ao ensino superior). A média dos componentes de cada dimensão é calculada, e depois uma média aritmética entre as três dimensões resulta no IPS final.
Os municípios são classificados em nove grupos, do grupo 1 (nota igual ou acima de 68,37) ao grupo 9 (nota igual a 46,50). Guapiara se enquadra nos grupos inferiores.



