Um estudo atualizado do Serviço Geológico do Brasil (SGB) revelou novas áreas de risco para desastres naturais em duas cidades do Sul de Minas Gerais. Em Monte Sião e Ouro Fino, aproximadamente 600 pessoas residem em locais vulneráveis a deslizamentos de terra e inundações, conforme dados revisados em 2026.
Metodologia e objetivos do levantamento
As análises foram realizadas com base em estudos do solo, relevo, histórico de ocorrências e ocupação urbana. O objetivo é fornecer subsídios para que as prefeituras possam elaborar planos de prevenção e ordenamento territorial. O pesquisador do SGB, Julio Lana, explicou que o problema está diretamente ligado ao crescimento desordenado das cidades.
“O levantamento no sul de Minas identifica principalmente áreas de risco para deslizamentos, erosão, enxurradas e inundações. Muitos municípios da região têm ocupações urbanas em encostas e margens de rios, o que aumenta a exposição da população, especialmente durante chuvas intensas”, afirmou Lana.
Ele também destacou os impactos sociais e econômicos para os moradores dessas áreas. “Há risco patrimonial e à vida, interrupção de vias e outros prejuízos sociais e econômicos.”
Avanços tecnológicos e precisão dos dados
Segundo o pesquisador, a atualização de 2026 é mais precisa que levantamentos anteriores. “Utilizamos dados mais detalhados, informações mais precisas e tecnologias modernas de mapeamento e análise do terreno, o que confere maior acurácia aos mapas.”
Lana alertou ainda para o avanço da ocupação urbana em áreas vulneráveis. “Em alguns municípios, observamos ampliação da ocupação em áreas de risco e mudanças associadas a eventos climáticos extremos recentes.”
Monte Sião: sete pontos de risco
Em Monte Sião, foram identificadas sete áreas com risco geológico: seis de alto risco e uma de muito alto risco. Cerca de 450 pessoas vivem nesses locais. Os pontos mapeados incluem a Avenida Universo, ruas Padre Reinaldo, Usina Velha, José Matias, Peru e João de Lima Cardoso. Os principais problemas são deslizamentos, queda de blocos e risco de inundação.
O coordenador da Defesa Civil de Monte Sião, Fernando Massaro, explicou como o relatório será utilizado. “Após a entrega oficial, iniciaremos uma análise detalhada das recomendações técnicas. As informações serão encaminhadas aos setores de obras, planejamento e outros órgãos municipais para construir ações preventivas de médio e longo prazo.”
Ouro Fino: quatro áreas monitoradas
Em Ouro Fino, foram identificadas quatro áreas, onde vivem cerca de 140 pessoas: três de risco alto e uma de muito alto risco. Os locais são as ruas Firmino Junqueira, Humaitá, Tone e Manuel Jesuíno de Carvalho. O principal risco são deslizamentos de terra.
A Defesa Civil do município informou que o relatório será usado para intensificar ações preventivas, como fiscalização, obras de contenção, campanhas de conscientização e elaboração de planos de evacuação.
Relatório como base para prevenção
O Serviço Geológico do Brasil ressalta que o risco é dinâmico e pode variar conforme o volume de chuvas e o uso do solo. Os documentos devem orientar políticas públicas, ajudando os municípios a definir áreas seguras para construção e a priorizar obras de infraestrutura, como drenagem e contenção de encostas. A expectativa é que, com base nesses dados, seja possível reduzir impactos e evitar tragédias nas regiões identificadas.



