Michelle Bolsonaro chama Alexandre de Moraes de 'irmão em Cristo' e nega candidatura nacional
Michelle chama Moraes de 'irmão em Cristo' e nega candidatura

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro causou polêmica na terça-feira (19) ao se referir ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes como “irmão em Cristo”, durante um evento de pré-campanha. A declaração ocorreu após o magistrado autorizar a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que estava detido no Batalhão da Polícia Militar.

Ironia com referência bíblica

“Nosso ministro... Vou profetizar aqui, porque Deus transformou Saulo em Paulo. Nosso irmão em Cristo, Alexandre de Moraes, liberou o cabeleireiro, e ele [Bolsonaro] está com aquele cabelinho cortadinho, jogadinho, aqueles olhos azuis brilhantes”, disse Michelle, em tom de brincadeira. A fala faz alusão à passagem bíblica em que Saulo, perseguidor de cristãos, se converte e se torna o apóstolo Paulo.

Atuação política focada em mulheres

Em seguida, Michelle afirmou que, “brincadeiras à parte”, sua atuação política nos últimos anos não teve como objetivo uma candidatura nacional, mas sim eleger o maior número possível de mulheres pelo Brasil. “Quero falar para vocês que aceitei um desafio muito grande de percorrer o Brasil. E não era porque eu queria uma candidatura nacional, não. Eles falam, eles nem sabem o que falam. Nós percorremos um ano para que a gente pudesse fortalecer e tivesse tempo para eleger o maior número de mulheres pelo Brasil”, declarou.

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As declarações foram dadas durante o lançamento da pré-campanha da doceira Maria Amélia, pré-candidata a deputada federal pelo PL do Distrito Federal, de quem Michelle é amiga. A ex-primeira-dama é presidente do PL Mulher e tem se dedicado a fortalecer candidaturas femininas.

Articulação pela prisão domiciliar

Michelle foi uma das principais articuladoras da ofensiva pela prisão domiciliar humanitária do marido. Ela se encontrou em mais de uma ocasião com Alexandre de Moraes, relator da trama golpista no STF, para pedir a transferência de Bolsonaro para casa. Em 23 de março, a ex-primeira-dama foi ao gabinete de Moraes reforçar o pedido. Um dia depois, o ministro concedeu a medida, inicialmente por 90 dias, até a recuperação completa do ex-presidente, que estava internado com broncopneumonia.

“O bônus é de todos aqueles que foram até o STF, até o ministro Alexandre de Moraes, interceder por essa prisão domiciliar. Não tem uma pessoa que tirou o Bolsonaro do batalhão. São várias. Todos aqueles que intercederam em oração e pessoalmente junto ao ministro”, declarou Michelle após receber o marido em casa. Na ocasião, ela afirmou que ainda não havia necessidade de procurar novamente o ministro para pedir extensão do prazo.

Os dois voltaram a se encontrar pessoalmente e se cumprimentaram durante a posse de Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 12 de maio, quando Michelle sentou-se ao lado da mulher de Moraes, a advogada Viviane Barci.

Crise na pré-campanha de Flávio Bolsonaro

Michelle também afirmou à Folha que não está se envolvendo na crise que vive a pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após vir à tona a relação do senador com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Questionada, respondeu: “Não estou me metendo nisso, não. Tenho que cuidar do meu marido”.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, Michelle tem se dedicado à rotina de Bolsonaro em casa e reclama de sobrecarga. A atividade política como presidente do PL Mulher e o empenho na própria pré-campanha tiveram que ser redimensionados, mas ela ainda trabalha para emplacar suas aliadas na eleição. Diante da dúvida de integrantes do bolsonarismo e do centrão sobre a viabilidade da candidatura de Flávio até outubro, o nome de Michelle foi mencionado nos bastidores como alternativa, mas o PL não cogita substituir o senador até o momento.

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