Suprema Corte derruba tarifas de Trump, mas ele ameaça elevar para 15%
Trump ameaça elevar tarifas para 15% após derrota na Suprema Corte

Suprema Corte derruba tarifas abrangentes de Trump em revés para política comercial

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou as tarifas globais impostas pelo presidente Donald Trump introduziu um novo elemento de complexidade nas já tensas relações comerciais entre Washington e Pequim. Ambos os países navegam agora em terreno ainda mais instável, tentando evitar uma guerra comercial total que poderia desestabilizar a economia mundial, enquanto disputam posições de força nas negociações que antecedem a esperada visita de Trump à China.

Decisão judicial fortalece China, mas Pequim mantém cautela estratégica

A decisão judicial da última sexta-feira aparentemente fortalece a posição negociadora da China, porém analistas internacionais preveem que Pequim adotará postura cuidadosa ao explorar essa vantagem. Especialistas destacam que o governo chinês está ciente de que Trump possui outros mecanismos legais e políticos para impor taxas de importação, mantendo a pressão sobre a economia chinesa.

"Isso dará à China um impulso moral em suas negociações com a equipe de Trump antes da cúpula, mas eles estão preparados para o cenário de que nada realmente mude na prática", afirmou Sun Yun, diretora do programa da China no Stimson Center, centro de estudos sediado em Washington.

Trump reage com fúria e ameaça elevar tarifas para 15%

Furioso com a derrota judicial, o ex-presidente americano declarou inicialmente que imporia uma tarifa global temporária de 10%, com planos de posteriormente elevá-la para 15%. Trump também sinalizou que buscará caminhos alternativos para cobrar tarifas de importação, defendendo suas medidas como necessárias para enfrentar o que considera o maior desafio à predominância econômica, tecnológica e militar dos Estados Unidos.

"A China tinha centenas de bilhões de dólares em superávits com os Estados Unidos. Eles reconstruíram a China. Eles reconstruíram o Exército. Nós construímos o Exército da China ao permitir que isso acontecesse", disse Trump a repórteres na sexta-feira. "Tenho um ótimo relacionamento com o presidente Xi, mas ele agora respeita nosso país."

Encontro Trump-Xi agendado para fim de março

A Casa Branca confirmou oficialmente que Donald Trump viajará à China entre os dias 31 de março e 2 de abril para se reunir com o presidente Xi Jinping. Este encontro bilateral ocorrerá em um contexto particularmente delicado, com as relações comerciais entre as duas maiores economias do mundo penduradas por um fio após a decisão da Suprema Corte.

Analistas políticos sugerem que é improvável que Xi Jinping "ostente ou brandisse" de forma contundente a decisão judicial durante o encontro com Trump. A expectativa é que o líder chinês opte por tentar fortalecer sua relação pessoal com o ex-presidente americano, buscando consolidar a frágil trégua comercial estabelecida entre os dois países.

China pede cooperação e estabilidade nas relações comerciais

Questionado sobre as implicações da decisão judicial, o porta-voz da Embaixada da China, Liu Pengyu, afirmou que guerras tarifárias e comerciais não servem ao interesse de nenhuma das nações envolvidas. O diplomata chinês pediu que Pequim e Washington trabalhem conjuntamente para "proporcionar maior previsibilidade e estabilidade à cooperação econômica e comercial China-EUA e à economia global".

Incerteza se espalha para outros parceiros comerciais dos EUA

A decisão da Suprema Corte também cria novas incertezas para outros parceiros comerciais dos Estados Unidos, especialmente na Ásia e em outras regiões que firmaram acordos comerciais para amenizar a turbulência inicial provocada pelas tarifas de Trump. Especialistas em comércio internacional preveem que a maioria dos parceiros asiáticos agirá com extrema cautela nas próximas semanas.

"Eu esperaria que a maioria dos parceiros asiáticos agisse com cautela, com os acordos existentes sendo amplamente mantidos enquanto ambos os lados analisam as implicações nas próximas semanas", afirmou Dan Kritenbrink, sócio do The Asia Group e ex-secretário assistente de Estado para Assuntos do Leste Asiático e do Pacífico no governo Biden.

Trump mantém múltiplas opções para contornar decisão judicial

O ex-presidente americano já demonstrou em mandatos anteriores disposição para usar diversas bases legais para impor tarifas à China. Pouco depois de retornar à Casa Branca no início do ano passado, Trump invocou uma lei de poderes emergenciais para impor tarifas de 20% sobre produtos chineses, alegando que Pequim não conseguiu conter adequadamente o fluxo de substâncias químicas precursoras do fentanil.

Posteriormente, utilizou a mesma autoridade emergencial para impor tarifas recíprocas amplas a diversos países, incluindo 34% sobre a China. As retaliações de Pequim fizeram com que as tarifas chegassem temporariamente a ultrapassar 100% antes de ambos os lados recuarem em outubro, quando concordaram com uma trégua comercial de um ano com tarifa-base de 10%.

Especialistas preveem "Plano B" da administração Trump

Wendy Cutler, vice-presidente do Asia Society Policy Institute, suspeita que o governo Trump possa apresentar rapidamente um "Plano B" para manter pressão comercial sobre a China. O Escritório do Representante de Comércio dos EUA conduz atualmente uma investigação sobre o cumprimento, por parte da China, de um acordo comercial anterior — o que poderia servir como alternativa legal para a administração impor novas tarifas.

Gabriel Wildau, diretor-gerente focado em análise de risco político na China na consultoria Teneo, afirmou que Pequim provavelmente parte do princípio de que as tarifas podem ser mantidas ou recriadas "com apenas dificuldade moderada" por parte do governo americano. "Mas Pequim também mantém a esperança de convencer Trump a reduzir essa tarifa em troca de garantias de compras ou outras concessões", completou Wildau.

Chamado por estratégia mais rigorosa contra práticas comerciais chinesas

O deputado Ro Khanna, principal democrata no Comitê Especial da Câmara sobre o Partido Comunista Chinês, instou o governo americano a formular uma nova estratégia comercial mais rigorosa que "responsabilize a China por suas práticas comerciais desleais e aproveite o poder coletivo de nossos aliados e parceiros". Este posicionamento reflete a pressão bipartidária por uma abordagem mais assertiva nas relações comerciais com Pequim.

A complexa dinâmica entre decisões judiciais, estratégias políticas e negociações diplomáticas continuará a moldar as relações comerciais sino-americanas nas próximas semanas, com implicações significativas para a economia global e o equilíbrio de poder no cenário internacional.