Aproximação política entre Zema e Flávio Bolsonaro gera especulações eleitorais
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), anunciou nesta quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026, que participará da manifestação convocada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) para o dia 1° de março, na Avenida Paulista, em São Paulo. O ato tem como alvo críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.
Únicos pré-candidatos presidenciais no evento
O gesto político aproxima Zema não apenas do parlamentar mineiro, a quem declarou apoio e elogiou publicamente, mas também do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Até o momento da publicação, Flávio e Zema foram os únicos pré-candidatos à Presidência da República a confirmarem presença no evento, um fato que pode ter significativo impacto no cenário eleitoral.
Em declarações nas redes sociais, Zema foi enfático: "Sou o único pré-candidato à Presidência que tem criticado o Supremo. Como eu não tenho rabo preso, acho inadmissível mulher de ministro fazer contrato para ganhar 3 milhões [de reais] por mês, irmão de ministro ter outro contrato de compra e venda para receber 35 milhões [de reais]. Me parece que os outros [pré-candidatos] têm alguma diferença".
O governador mineiro acrescentou: "Eu falo tudo o que eu acho correto e que o brasileiro acha também. Eu estou aqui para fazer aquilo que eu acho certo, não para fazer o que é conveniente para poder ganhar uma eleição, como muitos fazem. E eu estarei lá em São Paulo no dia 1° de março, dando total apoio [à manifestação]. O brasileiro precisa se manifestar, precisa se mobilizar contra esse governo que está aí, agredindo a grande maioria".
Rumores sobre chapa eleitoral ganham força
Nos bastidores políticos, Romeu Zema vem sendo tratado como possível opção de vice na chapa de Flávio Bolsonaro. Apesar de apresentar pouca força nas pesquisas eleitorais nacionais, o governador possui boa aprovação entre os eleitores mineiros, o que poderia fortalecer significativamente o palanque dos Bolsonaro em Minas Gerais - estado considerado um dos mais estratégicos do país.
A aproximação entre os dois políticos ajudaria a resolver ainda o racha da direita em Minas Gerais, que anteriormente se articulava em torno do nome do vice de Zema, Matheus Simões (PSD), para o governo do estado. Atualmente, o cenário político mineiro busca candidaturas próprias em pelo menos mais duas outras frentes, em função dos diferentes palanques presidenciais.
Negativas oficiais e ressalvas pessoais
Apesar das especulações que ganham corpo, Zema afirma que manterá sua candidatura à Presidência até o final. O governador defende que são necessários vários discursos diferentes no processo eleitoral brasileiro.
Fontes próximas ao governador mineiro revelam que não existe uma relação sólida entre Zema e o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro para a formação dessa chapa. Além disso, confirmam que os dois políticos não têm conversado sobre essa possibilidade.
Há ainda ressalvas pessoais de Zema em relação a Flávio Bolsonaro, principalmente por causa do passado complicado do senador com o caso das rachadinhas. O partido Novo também demonstra desinteresse em se associar diretamente a políticos com eventual histórico de corrupção.
No mesmo dia do anúncio de Zema, Flávio Bolsonaro também confirmou sua presença no evento de 1° de março, com aliados tentando viralizar a frase "meu amigo Flávio estará na Avenida Paulista". A participação conjunta dos dois pré-candidatos presidenciais promete ser elemento importante no jogo eleitoral dos próximos dias, tanto para Minas Gerais quanto para seus futuros políticos individuais.



