Ibovespa cai 2,38% com balanços e incertezas sobre Irã e EUA
Ibovespa cai 2,38% com balanços e tensão Irã-EUA

A Bolsa de Valores brasileira encerrou o pregão desta quinta-feira (7) com queda de 2,38%, aos 183.218 pontos, influenciada por balanços corporativos, especialmente do Bradesco, e pelas incertezas nas negociações entre Irã e Estados Unidos. O Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, foi impactado durante o dia pelas ações do banco e da Petrobras.

Os papéis preferenciais do Bradesco e da estatal Petrobras registraram quedas de 4,25% e 2,26%, respectivamente. O dólar, por sua vez, teve comportamento mais moderado, fechando praticamente estável, com alta de 0,05%, cotado a R$ 4,922.

Balanços e cenário internacional

A temporada de balanços e o cenário internacional foram os destaques do pregão. O desempenho da Petrobras acompanhou a volatilidade dos preços do petróleo, que chegaram a cair 5,10% na mínima do dia. No caso do Bradesco, o balanço do primeiro trimestre, apesar de registrar lucro de R$ 6,8 bilhões, gerou pontos de atenção. Segundo relatório do XP, há riscos decorrentes do crescimento da carteira acima do mercado, maior exposição a segmentos massificados e crescimento acelerado em cartões de crédito e financiamento de veículos, produtos considerados mais voláteis.

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As ações dessas empresas estão entre as de maior peso no Ibovespa, com 8% de participação da Petrobras e 4% do Bradesco na carteira do índice.

Encontro Lula-Trump

No âmbito doméstico, analistas acompanharam o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente norte-americano Donald Trump, na Casa Branca. A reunião durou quase três horas. Trump publicou em sua rede social que o encontro com "o presidente muito dinâmico do Brasil" ocorreu "muito bem". Segundo ele, os líderes discutiram "diversos temas, incluindo comércio e, especificamente, tarifas". "Nossos representantes têm reuniões agendadas para discutir alguns pontos-chave. Outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário", afirmou Trump. Lula tinha duas principais demandas: apresentar um acordo para combater o crime organizado e discutir questões tarifárias.

Tensão Irã-EUA

O pregão também foi marcado pela instabilidade das negociações entre EUA e Irã. Segundo um porta-voz do Paquistão, os dois países estão próximos de um acordo, mas o cenário ainda é de incerteza. O pacto envolve três pontos: o fim formal da guerra, o desbloqueio do estreito de Hormuz e uma janela de 30 dias para negociações sobre um acordo mais amplo. Na quarta-feira, Trump afirmou que a guerra pode terminar se Teerã aceitar os termos apresentados. "Se eles não concordarem, os bombardeios começarão, e serão, infelizmente, em um nível e intensidade muito maiores do que antes", acrescentou. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou que o país está analisando a proposta e comunicará sua posição ao mediador, o Paquistão, segundo a agência estatal Isna.

As indefinições causaram volatilidade no mercado financeiro. Nos EUA, as bolsas Nasdaq, S&P 500 e Dow Jones fecharam com quedas de 0,13%, 0,40% e 0,64%, respectivamente. Pela manhã, os índices chegaram a subir 0,76%, 0,22% e 0,44%. O movimento também afetou as cotações do petróleo, que, após caírem durante grande parte do dia, apresentaram desempenho misto. Às 17h, o Brent, referência mundial, caía 0,64%, enquanto o WTI, usado nos EUA, subia 0,47%.

Para Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX, "a desvalorização do petróleo refletiu a redução das expectativas de um alinhamento maior entre as partes e da possibilidade de retomada do fluxo de embarcações no estreito de Hormuz". Marcos Praça, diretor de análises da Zero Markets Brasil, ressaltou que "o mercado viveu mais um pregão marcado pela volatilidade extrema em torno das negociações entre EUA e Irã. O dia começou com forte apetite ao risco global, impulsionado pela expectativa de um possível acordo de paz no Oriente Médio. Mas a euforia perdeu força ao longo do dia".

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O conflito no Oriente Médio bloqueia o fluxo no estreito de Hormuz, por onde passa cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo e gás. A paralisação gera temor de um repique inflacionário global, com disparada dos preços do petróleo. No Brasil, o impacto é misto: por um lado, o real e a Bolsa são beneficiados pela distância do país em relação ao conflito e pela exposição ao petróleo; por outro, o aumento das incertezas pode provocar fuga de ativos voláteis para ativos seguros.

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, afirmou que o mercado esperava a redução das tensões nos últimos pregões. Caso o cenário sinalize inversão, é provável que haja um movimento maior de correções em bolsas e moedas. "Analistas talvez tenham precificado uma queda relevante do petróleo de maneira muito rápida nos ativos. O mercado não trabalha com a manutenção desses níveis mais elevados. O grande risco é justamente esse cenário não se concretizar, porque ele já está bastante implícito nos preços." Segundo ele, o Brasil, por ser um mercado emergente, é considerado um ativo de maior risco. "Assim, uma reescalada do conflito provavelmente significaria dólar em alta, curva de juros no Brasil também para cima e Bolsa para baixo."