Leão XIV desafia Trump em embate pacifista e político
Leão XIV desafia Trump em embate pacifista

O papa que ruge: a briga entre Leão XIV e Donald Trump

O papa Leão XIV, primeiro americano a ocupar o Trono de Pedro, entrou em rota de colisão com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao defender uma mensagem pacifista e condenar a guerra no Oriente Médio. O confronto, que começou com críticas de Trump ao pontífice, escalou para um bate-rebate que desagradou até mesmo a base eleitoral conservadora do republicano, majoritariamente católica.

Origens do conflito

Tudo começou quando Trump, conhecido por sua retórica agressiva, chamou Leão XIV de “fraco em relação a crimes” e “péssimo em política externa” após o papa condenar os conflitos no Oriente Médio. O presidente, que já havia criticado o antecessor Francisco, agora mirou no novo pontífice, que respondeu com firmeza. Em uma audiência no Vaticano, o secretário de Estado Marco Rubio tentou amenizar a situação, mas Trump voltou à carga, acusando o papa de colocar católicos em perigo ao supostamente apoiar o Irã.

A posição de Leão XIV

Leão XIV, nascido Robert Prevost, de 70 anos, assumiu o papado com uma abordagem que mescla tradição e humanismo. Ele retomou vestes ornamentadas, rezou missas em latim e escolheu residir nos aposentos papais, agradando conservadores. No entanto, sua pregação pacifista o levou a declarar que Deus “não ouve as orações daqueles que fazem guerra” e a criticar a ameaça de Trump de “acabar com a civilização iraniana”. O papa afirmou: “Não temo o governo Trump”, mostrando disposição para enfrentar o presidente.

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Segundo analistas, Leão XIV busca se distanciar de sua origem americana para manter a neutralidade em um cenário polarizado. “Ele não quer que seu papado seja moldado por Trump. Quando foi necessário se posicionar, encontrou sua voz”, disse o teólogo Massimo Faggioli.

Repercussão política

A briga teve impacto eleitoral nos Estados Unidos. Pesquisas mostram que apenas 52% dos católicos brancos aprovam Trump, e entre católicos latinos o índice cai para 23%. A guerra no Oriente Médio, condenada pelo papa, também é rejeitada por mais de 60% dos eleitores. Trump, após ameaçar uma operação militar no Estreito de Ormuz, recuou para dar espaço a negociações, o que pode levar a um cessar-fogo e diminuir a tensão com o Vaticano.

No entanto, o embate não deve acabar tão cedo. Leão XIV já criticou a política anti-imigração de Trump, chamando-a de “desumana” e “moralmente indefensável”. Enquanto isso, Trump continua a provocar, postando uma imagem sua como Jesus Cristo, considerada blasfema por cristãos.

O papa, conhecido como “pastor de duas pátrias”, por sua carreira entre Chicago e Peru, tem usado sua experiência para ampliar sua influência. Durante uma turnê pela África, pediu liberdade na Argélia e criticou governantes autoritários, incluindo Paul Biya, de Camarões. Sua mensagem é clara: “O mundo está sendo devastado por um punhado de tiranos” que gastam bilhões com guerras em vez de saúde e educação.

O confronto entre Leão XIV e Trump reflete uma disputa mais ampla entre valores pacifistas e retórica belicosa, com o papa ganhando margem política ao se posicionar como o “adulto na sala”. Resta saber como essa briga evoluirá, mas uma coisa é certa: Leão XIV ruge.

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