Pesquisa revela que maioria dos brasileiros não sente impacto da isenção do Imposto de Renda
Um levantamento divulgado nesta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, pela Genial/Quaest traz dados preocupantes para o governo federal: a maioria dos brasileiros (67%) ainda não se sentiu beneficiada pela isenção do Imposto de Renda para quem ganha até 5.000 reais por mês. Esta medida é uma das grandes apostas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva para aumentar sua popularidade e garantir um bom desempenho nas urnas em outubro, quando o presidente tentará seu quarto mandato por meio de uma segunda reeleição.
Detalhes da implementação e expectativas frustradas
A isenção entrou em vigor no dia 1° de janeiro de 2026, o que significa que trabalhadores com renda bruta mensal de até 5.000 reais já deixaram de ter o desconto na folha de pagamento do salário pago no começo de fevereiro. Antes desta mudança, a isenção era válida apenas para quem ganhava até 2.428,80 reais. Quem recebia mais de 4.664,69 reais já estava sujeito à alíquota mais alta de 27,5% – na prática, um trabalhador com salário bruto de 5.000 reais tinha um desconto superior a novecentos reais.
Apesar da alta expectativa do governo de que a isenção do IR catapultaria sua popularidade, a pesquisa mostra que os efeitos ainda não foram percebidos pela população. Em outubro do ano passado, antes da medida entrar em vigor, 61% dos entrevistados afirmaram que seriam beneficiados. Agora, em fevereiro, 67% responderam que não se sentiram contemplados pela isenção, indicando uma frustração significativa das expectativas iniciais.
Análise regional e impacto no orçamento familiar
A região onde o índice se mostra mais dramático é justamente um dos redutos eleitorais do PT: 74% dos nordestinos declararam que não foram contemplados com a isenção. Este dado é particularmente relevante considerando a base eleitoral tradicional do partido na região.
Outro aspecto investigado pela pesquisa questionou os entrevistados sobre o impacto da isenção do IR em seu orçamento doméstico. Os resultados revelam que:
- Metade dos entrevistados (50%) afirmou que "não sentiu diferença" com a isenção
- 32% disseram que a renda aumentou, mas não significativamente
- Apenas 15% declararam que a renda aumentou de maneira substancial
Estes números sugerem que, para a maioria dos brasileiros, o benefício fiscal não está gerando o impacto econômico esperado no cotidiano das famílias.
Metodologia e contexto político
O levantamento foi realizado entre os dias 5 e 9 de fevereiro de 2026, ouvindo 2.004 pessoas em todo o território nacional. A pesquisa tem margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e um nível de confiança de 95%.
O contexto político é crucial para entender a importância destes dados. Com eleições presidenciais marcadas para outubro de 2026, a isenção do Imposto de Renda foi concebida como uma medida de apelo popular direto. No entanto, os resultados da pesquisa indicam que o governo pode estar enfrentando dificuldades em comunicar efetivamente os benefícios da medida ou que estes benefícios não estão sendo percebidos como significativos pela população.
Especialistas em economia política destacam que a percepção pública sobre políticas fiscais frequentemente leva tempo para se consolidar, mas os números iniciais sugerem um desafio considerável para a estratégia eleitoral do governo. A discrepância entre as expectativas criadas antes da implementação e a percepção atual da população sobre os benefícios reais da medida pode exigir ajustes na comunicação governamental e, possivelmente, em políticas complementares.



