Lula confirma Dario Durigan como novo ministro da Fazenda em evento em São Paulo
Lula confirma Dario Durigan como novo ministro da Fazenda

Lula confirma Dario Durigan como novo ministro da Fazenda em evento em São Paulo

Em evento realizado na cidade de São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou oficialmente Dario Durigan como o novo ministro da Fazenda, substituindo Fernando Haddad, que deixou o cargo para disputar o governo paulista. A nomeação, que já havia sido anunciada na semana passada, não surpreendeu o mercado financeiro, que reagiu positivamente à escolha.

Perfil técnico e missão de continuidade

Dario Durigan, que atuava como número dois do ministério, assume o comando com a missão clara de dar continuidade às diretrizes estabelecidas por Haddad. Especialistas ouvidos pelo g1 destacam que seu principal papel será priorizar as contas públicas em ano eleitoral, mantendo o legado fiscal do antecessor.

"O Durigan participou ativamente da agenda econômica desde o início. Agora, à frente do ministério, ele deve manter o legado de Haddad, principalmente na sustentação fiscal", afirma Erich Decat, analista político.

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Com passagem pela Advocacia-Geral da União e pelo setor privado, Durigan tem experiência em medidas de aumento de arrecadação, como aumento de impostos, além de ter participado da articulação da reforma tributária sobre consumo e da renegociação da dívida dos estados.

Desafios imediatos e médio prazo

O novo ministro enfrentará desafios significativos desde o início de sua gestão. A guerra no Oriente Médio pressiona os preços do petróleo e do diesel, criando o risco de um novo repique da inflação que poderia prejudicar a campanha de Lula por um quarto mandato.

Entre os principais objetivos está assegurar o cumprimento das metas fiscais e evitar ruídos que possam afetar a confiança do mercado. "A prioridade é previsibilidade. O mercado não reage bem a mudanças abruptas, então o foco precisa estar na continuidade das diretrizes fiscais e na clareza da execução", avalia Raphael Costa, administrador de empresas e especialista em gestão empresarial do Grupo 220.

O espaço para gastos livres dos ministérios será apertado neste ano, tendendo a levar a bloqueios de despesas. Isso ocorre porque o arcabouço fiscal limita o crescimento real das despesas do governo a 2,5% ao ano, enquanto gastos obrigatórios crescem acima desse ritmo.

Limitações políticas e cenário eleitoral

Apesar da experiência técnica, há dúvidas sobre o peso político de Durigan para conduzir agendas mais complexas. "Vejo o Durigan mais na linha da continuidade, mas sem muito espaço para liderar grandes reformas estruturais", diz Decat.

Esse cenário pode dificultar negociações com o Congresso, especialmente em ambiente fragmentado e próximo das eleições. No curto prazo, a tramitação de pautas econômicas deve avançar lentamente, com o calendário eleitoral tendendo a esvaziar o Congresso e reduzir espaço para temas sensíveis.

Entre os assuntos em andamento está a Proposta de Emendas à Constituição que reduz a jornada de trabalho, conhecida como PEC do 6x1, cujo debate deve se arrastar e só ganhar força após o período eleitoral. Outro tema com baixa chance de avanço é o chamado "imposto do pecado", que enfrenta resistência de setores econômicos e falta de consenso político.

Combustíveis e pressões externas

A alta do petróleo, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, testará efetivamente o novo ministro. O governo avalia alternativas para conter o impacto nos preços, com Durigan informando que foi proposta um subsídio aos importadores de diesel para tentar segurar o preço nas bombas.

A medida prevê pagamento de R$ 1,20 por litro até o fim de maio, sendo metade bancada pela União e metade pelos estados. Como cerca de 30% do diesel consumido no Brasil é importado, a alta internacional é rapidamente repassada às bombas e pode elevar custos de transporte e inflação.

Horizonte eleitoral e sustentabilidade fiscal

Até o momento, a troca no comando da Fazenda não provocou turbulências, com expectativa de continuidade predominando. Para especialistas, o mercado entende que não há mudanças relevantes no curto prazo.

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Ainda assim, há cautela em relação ao futuro. A partir de 2027, caso o atual governo seja reeleito, devem ganhar força dúvidas sobre a capacidade de Durigan de liderar uma agenda mais ampla. Outro desafio será lidar com pressão por medidas imediatas em ano eleitoral, que pode entrar em conflito com a responsabilidade com as contas públicas.

"Historicamente, isso ocorre em diferentes ciclos e não é exclusivo de um governo. O impacto depende de como essas medidas são estruturadas", avalia Raphael Costa. "Se houver desalinhamento com a sustentabilidade fiscal, o mercado reage rapidamente".

Com perfil técnico e discreto, Durigan assume a Fazenda como nome de continuidade. No curto prazo, o desafio será manter previsibilidade e atravessar período eleitoral sem rupturas. Já no médio prazo, o cenário é mais incerto e dependerá tanto do ambiente político quanto das decisões que serão tomadas a partir de 2027.