O casal Rosana Facchini e Luciano Staevie, moradores de Lajeado, no Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul, vive um momento de renovação após uma perda devastadora. Em agosto de 2024, eles perderam a filha Maya, de apenas dois anos, vítima de meningite que causou morte cerebral. Em meio à dor, a família tomou uma decisão marcante: doar os órgãos da pequena Maya. Esse gesto de amor salvou a vida de três crianças e fez de Maya a doadora mais jovem da história da cidade.
Dois anos após essa tragédia, o casal foi surpreendido por uma nova gravidez, que não estava nos planos. “No início foi tudo muito confuso. A gente fica feliz, mas ao mesmo tempo sente culpa, como se fosse errado. Aos poucos fomos amadurecendo essa ideia”, desabafa Rosana. Apesar dos sentimentos complexos, eles se preparam para a chegada de Lívia, vista pela mãe como “um novo amanhecer”. “Quando você se torna mãe, se entrega 100%. Depois, quando vem o luto, você se perde. Fica em um limbo. E quando se torna mãe outra vez, parece que renasce”, declara.
Para abrir espaço para a nova filha, o casal doou todas as roupas e brinquedos de Maya. Eles também se preparam para lidar com os medos que a perda deixou. “A gente entende que há coisas que fogem do nosso controle. Precisamos aprender a lidar com isso para que o medo não interfira na vida da nossa filha”, afirma o pai, Luciano.
A espiritualidade tem sido um alicerce para a família. Rosana, que segue a Umbanda, vê a chegada de Lívia como um presente da primeira filha. “A Maya mandou uma mensagem para nós: era para continuarmos seguindo em frente. Passamos por uma escuridão muito intensa, mas agora a Lívia chega como um novo amanhecer”, finaliza.



