Vitória de Janja e plano de Lula nos bastidores da queda da 'taxa das blusinhas'
Janja e Lula nos bastidores da queda da 'taxa das blusinhas'

A decisão do governo Lula de extinguir a cobrança federal sobre compras internacionais de até 50 dólares, conhecida popularmente como 'taxa das blusinhas', foi interpretada nos bastidores políticos como um movimento de pragmatismo eleitoral diante do desgaste crescente da medida entre consumidores e nas redes sociais. O tema foi debatido no programa Ponto de Vista, apresentado excepcionalmente por Veruska Donato, com participação do editor José Benedito da Silva.

Medida provisória e portaria do Ministério da Fazenda

A medida provisória assinada por Lula entrou em vigor imediatamente e foi acompanhada de uma portaria do Ministério da Fazenda zerando as taxas federais sobre os produtos importados de pequeno valor. Durante o anúncio, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, afirmou que a iniciativa beneficia diretamente o consumo popular.

Por que o governo decidiu acabar com a taxa?

Na avaliação de José Benedito, o recuo do governo foi motivado principalmente pelo impacto político negativo da medida. 'Essa coisa da taxa das blusinhas é uma má ideia desde o começo', afirmou o editor. Segundo ele, a cobrança acabou atingindo diretamente consumidores de baixa renda e gerando forte repercussão negativa nas redes sociais. 'A primeira-dama sentiu isso nas redes', disse José Benedito, ao comentar a influência de Janja nos bastidores da decisão.

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Qual foi o papel de Janja no recuo do governo?

Durante o programa, Veruska destacou que Janja sempre demonstrou desconforto com a cobrança sobre compras internacionais de pequeno valor. José Benedito afirmou que a primeira-dama teve papel importante no convencimento político dentro do Planalto. 'Foi uma vitória da primeira-dama', disse. Segundo ele, Janja percebeu rapidamente o desgaste da medida nas redes sociais e alertou o presidente Lula sobre os riscos eleitorais da manutenção da taxa. 'Ela é uma conselheira bastante ouvida pelo presidente', afirmou.

Estratégia para recuperar popularidade

Para José Benedito, a revogação da taxa faz parte de uma estratégia mais ampla do governo para recuperar popularidade às vésperas da eleição. Segundo ele, a oposição vinha explorando politicamente o discurso de que o governo Lula aumentava impostos e ampliava a carga tributária. O editor lembrou ainda que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, passou a ser chamado de 'Taxadd' por setores da direita nas redes sociais.

Reação negativa de setores empresariais

Apesar do potencial ganho eleitoral junto aos consumidores, José Benedito afirmou que a decisão também gerou reação negativa de setores empresariais. Segundo ele, pequenas empresas e representantes da indústria já começaram a criticar a medida. 'A Fiesp também divulgou nota pedindo ao Congresso que rejeite a medida provisória', lembrou Veruska durante o programa. José Benedito afirmou que parte do setor produtivo teme concorrência mais forte de plataformas estrangeiras, perda de empregos e impacto sobre pequenos negócios nacionais. 'O governo optou pela saída que achou que teria um ganho eleitoral maior', disse.

Pressão sobre o Congresso em ano eleitoral

Na avaliação dos participantes do programa, o Congresso ficará politicamente pressionado para reagir contra uma medida de apelo popular em pleno ano eleitoral. José Benedito comparou o caso ao programa Desenrola e afirmou que iniciativas populares costumam criar constrangimento para a oposição. 'Votar contra seria dar uma arma eleitoral poderosíssima para o governo', disse.

Comparação com estratégia de Bolsonaro em 2022

Na reta final da análise, José Benedito comparou a atual estratégia do governo Lula às medidas adotadas pelo então presidente Jair Bolsonaro durante a campanha de 2022. 'É um filme meio déjà vu', afirmou. O editor lembrou que Bolsonaro lançou um amplo pacote de benefícios naquele período, incluindo aumento do Auxílio Brasil, voucher caminhoneiro e desonerações tributárias. 'Naquela ocasião, o pacote funcionou e ele quase empatou com Lula', disse. Segundo José Benedito, o governo Lula agora aposta em medidas populares semelhantes para tentar melhorar rapidamente a percepção do eleitorado.

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