Meryl Streep volta como Miranda Priestly em 'O Diabo Veste Prada 2' e reacende debate sobre assédio moral
Meryl Streep volta em 'O Diabo Veste Prada 2' e reacende debate

Meryl Streep retorna como a icônica editora-chefe Miranda Priestly em 'O Diabo Veste Prada 2', sequência do filme de 2006 que retratava os bastidores de uma revista de moda nos Estados Unidos. Na nova trama, Miranda continua respeitada, mas pela primeira vez enfrenta denúncias internas feitas por funcionários à diretoria, sinalizando uma mudança no comportamento corporativo.

Mudanças no mundo do trabalho

Nos últimos 20 anos, o ambiente corporativo passou por transformações significativas. O modelo de liderança representado por Miranda, baseado em exigências extremas e humilhações públicas, começou a perder força com o avanço das discussões sobre saúde mental, burnout e assédio moral. Hoje, comportamentos antes vistos como prova de comprometimento são interpretados como possíveis violações trabalhistas.

Segundo Tatiana Marzullo, fundadora do programa 'Salto Alto', focado em liderança feminina, "ser 'workaholic' era romantizado. Durante muito tempo existiu a crença de que a pressão extrema gerava excelência, mas hoje as empresas entenderam que performance depende de uma cultura saudável".

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O retorno do comando e controle?

Apesar das mudanças, grandes empresas como Target e Starbucks têm endurecido regras, com retorno obrigatório ao presencial e maior monitoramento. Uma pesquisa da WeWork mostrou que 63% dos trabalhadores brasileiros atuam presencialmente, e 79% deles não têm escolha. Para Mariana Laselva, especialista em lideranças, o controle sempre existiu, mas as ferramentas mudaram.

"O controle não necessariamente tem uma única forma. Você passa de uma relação baseada na confiança para uma relação baseada no controle", afirma Laselva. Ela ressalta que nem toda retomada do presencial representa uma volta ao modelo 'Miranda Priestly', mas alerta para o risco de repetir culturas baseadas no medo.

Equilíbrio entre performance e bem-estar

Especialistas apontam que o mercado vive uma disputa entre dois modelos: empresas pressionadas por produtividade e trabalhadores que valorizam equilíbrio e saúde emocional. "As empresas mais inteligentes serão aquelas capazes de equilibrar alta performance com autonomia, confiança e bem-estar", conclui Tatiana Marzullo.

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