Lupita Nyong'o como Helena de Troia: polêmica racista e sem fundamento
Lupita Nyong'o: polêmica racista sobre Helena de Troia

A atriz queniana-mexicana Lupita Nyong'o, vencedora do Oscar, enfrenta uma onda de ataques racistas após ser anunciada como a intérprete de Helena de Troia no próximo filme de Christopher Nolan, A Odisseia, previsto para julho de 2026. A polêmica, alimentada por círculos extremistas e de supremacia branca, questiona a escalação com base na suposta aparência da personagem mitológica.

Contexto histórico: Eartha Kitt e Orson Welles

Em 1950, o diretor Orson Welles escalou a atriz negra Eartha Kitt como Helena de Troia em uma produção teatral. Na época, sem redes sociais, o foco foi no talento de Kitt, que foi elogiada pelo jornal militar Stars and Stripes como alguém que "rouba a cena". Welles a chamou de "a mulher mais promissora do mundo". Décadas depois, Kitt também interpretou a Mulher-Gato, outro papel tradicionalmente branco.

A polêmica atual

Com o anúncio de Lupita Nyong'o, a reação foi imediata e virulenta. No X (antigo Twitter), Elon Musk concordou com um comentário que afirmava que "nenhuma pessoa no mundo vê Lupita como a mulher mais linda do mundo" e chamou Nolan de "covarde". A justificativa dos críticos se baseia na descrição de Helena na Odisseia como uma jovem de pele rosada e cabelos claros.

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Por que a crítica é infundada

  • Helena de Troia nunca existiu: A personagem é uma figura mitológica, fruto da tradição oral grega. Sua suposta aparência não é um fato histórico.
  • A Odisseia é ficção: A obra de Homero não é um registro histórico, mas uma narrativa fantástica que inclui deuses e criaturas sobrenaturais.
  • A questão homérica: A autoria da Odisseia é contestada, e o texto foi moldado por séculos de tradição oral antes de ser fixado.
  • Beleza subjetiva: A expressão "a mulher mais bela do mundo" é um floreio literário, não um atributo objetivo a ser representado realisticamente.

O contexto contemporâneo

O filme de Nolan é uma produção americana do século XXI, refletindo a diversidade dos Estados Unidos, onde mais de 25% da população não é branca. A escalação de Nyong'o é uma escolha artística legítima, assim como as adaptações teatrais que frequentemente usam elencos diversos. Além disso, o elenco principal de A Odisseia é majoritariamente branco, com exceção de Zendaya como a deusa Atena.

O talento de Lupita Nyong'o

Nyong'o é uma atriz versátil, conhecida por seu trabalho em 12 Anos de Escravidão (2013) e Nós (2019). Em A Odisseia, ela interpretará não apenas Helena, mas também sua irmã Clitemnestra. Sua habilidade dramática é o que realmente importa para o sucesso do filme.

Em suma, a polêmica em torno de Lupita Nyong'o como Helena de Troia é vazia e racista. A arte não tem compromisso com o realismo etnográfico, e a beleza da atriz é, sim, digna de inspirar guerras épicas.

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