Retomada dos trabalhos legislativos com agenda carregada
A Câmara dos Deputados e o Senado Federal reiniciam suas atividades nesta segunda-feira (23) após o período de Carnaval, com uma pauta legislativa extensa e temas prioritários que prometem dominar os debates nas próximas semanas. Os parlamentares devem concentrar esforços em três grandes eixos: o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública e o projeto que propõe o fim da escala de trabalho 6x1.
Definição da ordem de votações
A pauta de votações da Câmara será estabelecida durante reunião de líderes partidários marcada para terça-feira (24). Segundo avaliações de lideranças ouvidas, a Casa deve analisar primeiro itens que já estavam em discussão antes do recesso carnavalesco. Entre esses temas estão a proposta que atualiza faixas de multas ambientais e inclui novas infrações relacionadas ao descumprimento de metas de redução de emissões de gases de efeito estufa, além do texto que institui o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata).
Acordo Mercosul-União Europeia em destaque
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sinalizou claramente sua intenção de acelerar a votação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Antes de seguir para o plenário, porém, o texto ainda depende de análise pela Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul). A proposta deveria ter sido votada na semana passada no colegiado, mas um pedido de vista do deputado Renildo Calheiros (PCdoB-AL) adiou a conclusão dos debates.
Este acordo histórico foi assinado em 17 de janeiro pelos líderes dos Estados-membros dos dois blocos econômicos, após mais de 25 anos de complexas negociações. O tratado abrange aproximadamente 720 milhões de pessoas e representa um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de impressionantes US$ 22 trilhões (equivalente a R$ 118,4 trilhões), configurando-se como um dos maiores pactos comerciais do planeta.
PEC da Segurança Pública ganha força
A expectativa entre os líderes partidários é que a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança também mobilize intensamente os parlamentares nas próximas semanas. O relator da matéria, deputado Mendonça Filho (União-PE), já apresentou o texto a integrantes do Republicanos e agora precisa levá-lo às demais bancadas para discussões mais amplas.
"Imagino que a próxima semana será tomada por esses debates bancada a bancada. E estaria pronto para ser votado na semana subsequente. O clima é bem favorável. Estou aguardando retorno do ministro da Justiça. Ele ficou de apresentar as observações do governo", declarou o parlamentar.
A PEC da Segurança Pública, de autoria do governo federal, busca ampliar significativamente a atuação da União no combate ao crime organizado e na coordenação das políticas de segurança em todo o território nacional. O texto cria mecanismos inovadores para integrar as forças de segurança pública do país, incluindo:
- O fortalecimento institucional da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal
- A ampliação da cooperação estratégica com estados e municípios
- A possibilidade de atuação mais integrada das forças de segurança em crimes de alcance nacional, como tráfico de drogas, tráfico de armas e atuação de facções criminosas
Debate sobre o fim da escala 6x1
O presidente da Câmara, Hugo Motta, indicou que vai pautar o debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1 e já despachou o texto correspondente para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na segunda-feira passada (9). Após a análise técnica pelo colegiado, a proposta será encaminhada para discussão em uma comissão especial da Casa.
"O mundo evoluiu, as tecnologias se desenvolveram e o Brasil não pode ficar para trás. Vamos capitanear a discussão ouvindo a sociedade e o setor produtivo, com a expectativa de votação em maio", afirmou Motta através de suas redes sociais, destacando a necessidade de modernização das relações trabalhistas no país.
Medidas Provisórias com prazo apertado
Cinco medidas provisórias editadas pelo governo federal perdem a validade na próxima semana, criando um cenário de urgência legislativa. Esses instrumentos normativos, quando editados pelo Executivo, precisam ser votados pelo Congresso Nacional dentro de um prazo máximo de 120 dias para se transformarem em leis permanentes.
Entre as MPs que aguardam análise, destaca-se a que abre crédito de R$ 12 bilhões para a renegociação de dívidas de produtores rurais, que espera votação na Câmara. Outra importante é a que transforma a Agência Nacional de Proteção de Dados em agência reguladora, que depende do Senado.
Três medidas provisórias ainda não podem ser discutidas pelos parlamentares porque as comissões mistas necessárias para seus debates sequer foram instaladas. Este é o caso da MP que fixa prazo de seis meses para a entrada em vigor do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2025.
O início do ano legislativo promete ser intenso, com debates que tocam em questões econômicas, de segurança pública, trabalhistas e regulatórias que afetam diretamente a vida dos brasileiros e o desenvolvimento do país.



