SoftBank mantém foco no Brasil e ignora ciclos políticos, diz Alex Szapiro
SoftBank foca no Brasil e ignora ciclos políticos, diz executivo

O executivo brasileiro Alex Szapiro, líder da operação latino-americana do conglomerado japonês SoftBank, reafirmou o compromisso da empresa com investimentos de longo prazo no Brasil, destacando que ciclos políticos não influenciam suas decisões. Em entrevista exclusiva, Szapiro revelou que 55% dos investimentos do grupo na região estão concentrados no país, seguido pelo México com 35%.

Estratégia de longo prazo e foco em empresas maduras

Szapiro, que assumiu a liderança regional em 2019 após passagens por gigantes como Amazon e Apple, explicou que o SoftBank mantém uma visão de investimento que se estende por décadas. "Nosso horizonte é de vinte anos. Se você se prende a ciclos políticos, não investe", afirmou o executivo, enfatizando que discussões sobre macroeconomia não fazem parte da cultura da empresa.

O SoftBank já investiu em 78 empresas na América Latina, incluindo nomes como Nubank, Quinto Andar, Banco Inter, Petlove e Olist. Segundo Szapiro, o foco está em companhias em growth stage, que possuem entre cinco e oito anos de operação e estrutura mais consolidada.

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Preparação para abertura de capital

O executivo citou várias empresas do portfólio que estão maduras para realizar ofertas públicas iniciais (IPOs). "Temos casos como Quinto Andar, Unico, Petlove, MadeiraMadeira, Blip e Jusbrasil, que já têm porte e governança adequados", revelou Szapiro. Ele destacou que algumas podem optar pela bolsa brasileira em vez da Nasdaq americana, dependendo do perfil e tamanho.

Sobre movimentos recentes de desinvestimento, como a venda de participações no Banco Inter e WeWork Brasil, Szapiro explicou que são estratégias normais após anos de investimento. "Após cinco ou seis anos, vendemos um pouquinho para trazer retorno ao fundo", afirmou, ressaltando que o SoftBank continua como maior acionista do Banco Inter, atrás apenas da família Menin.

Inteligência artificial como prioridade estratégica

Szapiro identificou a inteligência artificial como a "bola da vez" para investimentos globais, mas com ressalvas para o mercado brasileiro. "No Brasil, muitas empresas desse setor estão surgindo, mas ainda é cedo para nós", explicou, citando que os cheques do SoftBank variam entre 30 e 50 milhões de dólares.

No entanto, o executivo destacou investimentos em empresas que estão se transformando com IA, como a Blip, plataforma de conversação com clientes de grandes marcas. "A vantagem da Blip é que a empresa, com a quantidade de dados que possui, tem uma visibilidade de certos negócios que nem os próprios clientes têm", afirmou.

Foco em empresas com dados proprietários

Szapiro confirmou que o SoftBank prioriza empresas que sabem utilizar dados de forma inteligente. "Avaliamos quem sabe usar dados para treinar sistemas e oferecer respostas muito mais próximas da interação humana", disse. Ele reconheceu que as big techs globais investem valores astronômicos em infraestrutura, mas defendeu a estratégia do SoftBank de focar na aplicação prática da IA.

"Preferimos investir na ponta, com empresas que pensam a aplicação de inteligência artificial na prática. É uma questão de risco e retorno", explicou o executivo.

Processo seletivo rigoroso e otimismo para 2026

O processo de seleção do SoftBank é extremamente criterioso. Em 2025, a empresa abriu conversas com 105 empresas brasileiras, realizou estudos profundos em setenta, levou vinte ou trinta ao comitê de investimento e acabou investindo em apenas duas.

Szapiro rejeitou críticas de que o SoftBank inflacionou o mercado de tecnologia brasileiro. "Na maior parte das empresas em que investimos, não fomos líderes da rodada", afirmou, destacando que muitos "fundos turistas" entraram no mercado após a chegada do SoftBank, mas saíram com a alta dos juros pós-pandemia.

Vantagem competitiva e visão para o futuro

O executivo destacou como vantagem competitiva o fato de o SoftBank operar com capital proprietário do fundador Masayoshi Son. "Isso nos dá conforto de não ter pressa. Podemos errar, mas não vamos tomar uma má decisão porque estamos sendo pressionados pelo mercado", explicou.

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Sobre as perspectivas para 2026, Szapiro se mostrou otimista. "O Brasil e o México têm capacidade para formar players globais. Além disso, muitas empresas estão crescendo rapidamente e devem atingir o tamanho ideal para receber nossos cheques. A safra de 2026 deve trazer boas oportunidades", concluiu o executivo, reforçando o compromisso de longo prazo com a região.