Artista peruano cria estátua do cão Pitoco em homenagem ao poeta Nhô Bentico
Peruano faz estátua de Pitoco, cão de poema de Nhô Bentico

O artista peruano John Valenz, de 48 anos, está finalizando uma estátua em homenagem ao poema “Pitoco”, do poeta, radialista e cronista Nhô Bentico (pseudônimo de Abílio Victor). A obra, que retrata o cachorrinho protagonista da história, será instalada na Praça Largo dos Amores, em Itapetininga (SP), com previsão de conclusão em junho deste ano.

Quem foi Nhô Bentico

Nascido em 31 de agosto de 1899, em Itapetininga, Nhô Bentico foi um artista multifacetado: poeta, radialista, cronista e também carpinteiro. Ele utilizava o dialeto caipira em suas obras, retratando o cotidiano do interior paulista com versos que atravessaram gerações. Seu poema mais conhecido, “Pitoco”, narra a emocionante história de um menino e seu cão de estimação, que morre tragicamente ao picado por uma cobra enquanto defendia o dono.

A trajetória do artista

Bob Vieira, músico, compositor e pesquisador da cultura caipira, destaca a importância de Nhô Bentico para a valorização da identidade cultural do interior paulista. “Ele utilizava o dialeto caipira, proporcionando um retrato da língua falada de uma época em uma determinada região. Isso valorizou a identidade cultural da comunidade em que viveu”, afirma. Apesar de receber convites para trabalhar em grandes empresas de São Paulo e Rio de Janeiro, Nhô Bentico sempre recusou, mantendo-se ligado à sua cidade natal.

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Nhô Bentico escreveu dois livros e produziu obras como “Rosinha”, “Juão Paiaço”, “A purguinha”, “Tire a mão daí seu Zé” e “Carnavá do Sapo”. Também atuou como radialista, declamando suas produções autorais, o que lhe rendeu um programa próprio na rádio. Morreu em 7 de outubro de 1952, em Itapetininga, e já foi homenageado em prédios públicos, eventos e na Academia Itapetiningana de Letras, que possui uma cadeira com seu nome.

A estátua de Pitoco

John Valenz, peruano radicado em Itapetininga há mais de 20 anos, conheceu a obra de Nhô Bentico por meio de um programa de rádio e decidiu homenageá-lo com uma escultura do cão Pitoco. A ideia surgiu durante a pandemia, com o incentivo da Lei Aldir Blanc. “Quando pesquisei, não tinha muitas fotos ou imagens dele. Esse poema do cachorrinho me cativou e decidi fazer ele primeiro para a praça da cidade”, relata John.

A escultura, que levou cerca de um ano para ser concluída, tem estrutura de ferro, modelagem em argila e gesso, e será finalizada com revestimento em cimento. John utilizou aproximadamente duas toneladas de argila na criação. A obra foi desenvolvida em um espaço da Casa Kennedy, centro cultural de Itapetininga, onde o artista já realizava trabalhos manuais.

Interação com o público

John Valenz projetou a estátua em escala próxima à altura do público infantil, com a pata levantada, para incentivar a interação das crianças com a arte. “Então, isso vai aproximar a arte da criança e vai desenvolver um amor. Hoje em dia tem pouco disso. Tanto que há mais depredação das esculturas do que carinho. Eu queria mudar esse sintoma e tentar aflorar um pouco mais esse amor pela arte”, explica.

Bob Vieira, que considera “Pitoco” uma de suas favoritas, ressalta a carga emocional do poema. “Adoro declamar nas escolas em que faço minhas apresentações. A história de um cachorrinho que morreu tragicamente picado por uma cobra ao defender o dono. Esses versos habitam a memória de muita gente que ouviu declamar pelo pai, pela mãe, pela avó, pelo tio ou pela professora”, comenta.

Legado e reconhecimento

Apesar da importância de Nhô Bentico para a cultura caipira, Bob Vieira lamenta que sua obra ainda seja pouco difundida. “Pela sua grande importância, merece muito mais reconhecimento e divulgação de sua obra tão valiosa. Por exemplo, poderia haver maior envolvimento das escolas em realizar projetos que valorizem sua obra”, analisa. John Valenz também observa a escassez de material sobre o poeta: “Não temos muitos artistas na qualidade de Nhô Bentico aqui em Itapetininga. São poucos, na verdade que se destacaram nacionalmente. Ele foi um artista completo em todos os ramos. Foi gerente de cinema, radialista e carpinteiro”.

A estátua de Pitoco promete ser mais um marco na valorização do legado de Nhô Bentico, perpetuando a memória do poeta e de seu emocionante poema para as futuras gerações.

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