Taxa de inovação das empresas brasileiras cai para 64,4% em 2024, aponta IBGE
Inovação empresarial no Brasil cai para 64,4% em 2024

Taxa de inovação empresarial no Brasil registra terceira queda consecutiva em 2024

O cenário da inovação no setor empresarial brasileiro apresentou um recuo em 2024, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Pesquisa de Inovação Semestral 2024: Indicadores básicos (Pintec) apontou que a taxa de inovação das empresas com 100 ou mais pessoas ocupadas nas indústrias extrativas e de transformação atingiu 64,4%, representando uma redução de 0,2 ponto percentual em relação ao ano anterior, quando foi de 64,6%.

Queda persistente desde 2021 e impacto da conjuntura econômica

Este resultado marca a terceira queda consecutiva desse indicador desde 2021, período em que a taxa alcançou 70,5%. Segundo Flávio Peixoto, analista da Pintec, essa trajetória descendente pode ser atribuída à conjuntura econômica. "2021 foi um ano muito atípico de pós-pandemia. As atividades produtivas e inovativas estavam bastante represadas. Nos três últimos anos as atividades ficaram mais estáveis. A taxa de investimentos também caiu e houve alta da taxa de juros, a Selic", explicou o especialista.

Em 2024, o Brasil contava com 10.165 empresas nesse porte, das quais 64,4% introduziram algum produto novo ou substancialmente aprimorado e/ou incorporaram algum processo de negócios novo ou aprimorado para uma ou mais de suas funções. A taxa de inovação foi mais elevada nas empresas de maior porte, alcançando 75,4% nas companhias com mais de 500 pessoas ocupadas.

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Desempenho por tipo de inovação e setores industriais

A análise por categoria de inovação revelou que 32,7% das empresas inovaram tanto em produto quanto em processo de negócios em 2024, um índice 1,7 ponto percentual inferior ao registrado em 2023 (34,4%). Esta é a menor taxa observada em ambas as categorias desde o primeiro ciclo da Pintec Semestral, em 2021. As empresas que inovaram apenas em produto também apresentaram a menor taxa do período, com 12,5%. Por outro lado, as que inovaram somente em processo de negócios tiveram um aumento significativo, passando de 16,6% em 2023 para 19,2% em 2024, um acréscimo de 2,6 pontos percentuais.

No ranking setorial, o setor de fabricação de produtos químicos liderou com uma taxa de inovação de 84,5%, seguido por fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (82,1%) e fabricação de móveis (77,1%). Em contraste, a fabricação de produtos do fumo foi o setor menos inovador, com apenas 29,8%.

Investimentos em pesquisa e desenvolvimento e apoio público

Em 2024, 32,9% das empresas investiram recursos em atividades internas de pesquisa e desenvolvimento (P&D), o menor percentual desde 2021, quando foi de 33,9%. Setores como fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, fabricação de produtos químicos, fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, e fabricação de outros equipamentos de transporte apresentaram taxas superiores a 50%.

Os gastos com P&D totalizaram aproximadamente R$ 39,9 bilhões em 2024, valor nominalmente superior aos R$ 38,2 bilhões de 2023. As empresas inovadoras da indústria de transformação foram responsáveis por 85,4% desse montante (R$ 34,1 bilhões), enquanto as das indústrias extrativas contribuíram com 14,6% (R$ 5,8 bilhões). Em valores absolutos, houve aumento dos dispêndios em ambos os segmentos.

O uso de apoio público pelas empresas inovadoras cresceu, passando de 36,3% em 2023 para 38,6% em 2024. O instrumento de apoio público mais utilizado proporcionalmente foi o incentivo fiscal à pesquisa e desenvolvimento e inovação tecnológica, com 28,9%. A expectativa para 2025 é otimista: 96,4% das empresas inovadoras planejam elevar ou manter os gastos com P&D, indicando uma perspectiva de recuperação e continuidade dos esforços inovativos no país.

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