Após o fenômeno do “morango do amor” em 2025, uma nova tendência culinária domina a internet em 2026: o bolo-pudim. Essa sobremesa, que une duas receitas clássicas da confeitaria brasileira, viralizou em vídeos nas redes sociais, impulsionou vendas e se tornou a aposta de pequenos empreendedores em todo o país.
Sucesso imediato em feiras e vendas
Em Belo Horizonte (MG), a confeiteira Maria Tereza dos Santos vendeu mais de 400 pedaços de bolo-pudim em poucas horas durante uma feira hippie em janeiro. Por volta das 7h, já havia fila de clientes esperando pelo doce, vendido a R$ 25 a unidade. Algumas pessoas aguardaram até duas horas. Antes das 11h, todas as fatias estavam esgotadas.
Em São José do Rio Preto (SP), a empreendedora Elisângela da Silva Marques vendeu mais de 600 fatias em apenas duas horas. Para atender à demanda, as massas são preparadas às quartas-feiras e a montagem ocorre às sextas. São produzidos 20 bolos, com média de 30 fatias cada, contando com uma equipe de oito pessoas, incluindo familiares.
Já em Juiz de Fora (MG), a confeiteira Raphaela Garbeto Brandi vendeu mais de 500 fatias em dez dias, além de bolos inteiros. Os vídeos do preparo e corte ultrapassaram 18 milhões de visualizações, e seu perfil soma mais de 20 mil seguidores.
O que explica o sucesso?
Especialistas apontam que o bolo-pudim combina memória afetiva e forte apelo visual, potencializados pelas redes sociais. Bruno Sola, especialista em marketing e CEO da Bunch Marketing & Growth, explica: “Vídeos curtos e imagens impactantes despertam desejo imediato. A curiosidade digital se converte rapidamente em demanda real.”
Segundo Sola, produtos que unem nostalgia, curiosidade e experiência sensorial geram compartilhamentos e validação social. Para pequenos negócios, isso representa crescimento orgânico: “Eles conseguem testar sabores e formatos em tempo real, surfando tendências antes que se desgastem.”
O bolo-pudim segue a lógica de fenômenos como “morango do amor” e paleta mexicana. As buscas pelo morango cresceram 1.333% em uma semana no Google, e os pedidos no iFood aumentaram mais de 2.300%. A expectativa é que o bolo-pudim repita esse sucesso.
Nostalgia e novidade
Karine Karam, professora de comportamento do consumidor da ESPM, destaca a combinação de familiaridade e inovação: “Tanto o bolo quanto o pudim fazem parte da memória afetiva do brasileiro, associados à infância e à casa da avó. Juntos, potencializam a nostalgia.”
Ela ressalta que doces indulgentes funcionam como conforto emocional em meio à ansiedade cotidiana. Além disso, o bolo-pudim é extremamente “instagramável”: camadas definidas, calda escorrendo e o momento do corte geram forte estímulo visual. “Hoje, muitos alimentos são consumidos primeiro pelos olhos e pela câmera do celular”, observa.
Para Karam, o doce vai além de moda passageira: “Faz parte de uma tendência maior da confeitaria contemporânea, que valoriza produtos híbridos e sensoriais. O alimento vira experiência, entretenimento e conteúdo.”



