Caixa Econômica avalia compra de ativos do BRB, mas negociações ainda são preliminares
Caixa avalia compra de ativos do BRB, mas negociações são preliminares

Executivos da Caixa Econômica Federal têm mantido discussões com os líderes do Banco Regional de Brasília (BRB) sobre possíveis transações financeiras, conforme revelado pelo presidente do Conselho de Administração da Caixa, Rogério Ceron. Em declarações feitas nos bastidores do evento de premiação da Olimpíada do Tesouro Direto de Educação Financeira (Olitef), realizado nesta quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026, Ceron confirmou que os membros do conselho do banco federal se reuniram nesta semana para analisar a situação do BRB.

Diálogos em andamento, mas sem definição

Segundo Rogério Ceron, o objetivo da reunião foi dialogar sobre como a Caixa poderia ser útil na situação crítica que o BRB enfrenta. Ele mencionou que a instituição federal poderia comprar algumas carteiras de crédito do banco regional para colaborar com a liquidez, mas enfatizou que qualquer transação precisa ser atrativa para a Caixa em termos de negócio. “A Caixa está em diálogo com o BRB. No entanto, ainda não identificamos alguma carteira que seja propositiva ao nosso modelo de negócio”, afirmou Ceron, descartando rumores de uma compra total do BRB que circularam na imprensa recentemente.

Crise de liquidez no BRB

O BRB passa por sérias dificuldades de liquidez após se envolver em polêmicas relacionadas ao caso do Banco Master, o que desencadeou uma corrida de saques contra a instituição. Conforme apurado por VEJA, a companhia já vendeu 5 bilhões de reais em ativos, mas isso não foi suficiente para resolver todos os seus problemas. Estimativas indicam que o banco possui um passivo de até 15 bilhões de reais, além de outros 5 bilhões herdados do Master, agravando a crise financeira.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Medidas de resgate propostas pelo Distrito Federal

Na última terça-feira, 24 de fevereiro, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB-DF), protocolou um projeto de lei na Câmara Legislativa distrital para realizar um aporte de até 6,6 bilhões de reais no BRB. A proposta prevê o uso de empréstimos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e outras instituições financeiras, com o objetivo de recompor o patrimônio líquido e o capital social do banco.

Alternativas de reforço patrimonial

O projeto de lei autoriza o Distrito Federal a adotar diversas medidas, incluindo:

  • Integralização de capital social, aportes patrimoniais e outras formas juridicamente admitidas de reforço, inclusive com bens móveis ou imóveis.
  • Venda prévia de bens públicos, móveis ou imóveis, com destinação do produto da venda ao reforço patrimonial do BRB.
  • Operações de crédito com o FGC ou instituições financeiras, até o limite de 6,6 bilhões de reais, respeitando normas do sistema financeiro nacional.

No caso da venda de bens públicos, o governo poderá transferir diretamente os ativos ao BRB para alienação ou exploração econômica, ou promover a alienação prévia e aportar o valor obtido. O documento ressalta que a venda de bens públicos só será permitida com prévia avaliação, compatibilidade com o interesse público e respeito às normas de governança e transparência.

Perspectivas futuras

Enquanto as negociações entre Caixa e BRB continuam em fase preliminar, a situação do banco regional permanece delicada. A combinação de medidas legislativas do Distrito Federal e possíveis transações com a Caixa Econômica pode oferecer um caminho para estabilizar a instituição, mas especialistas alertam para a necessidade de cautela e transparência em todas as etapas do processo.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar