Bônus de até R$ 300: Nova lei do IR já beneficia trabalhadores com isenção e descontos progressivos
As novas regras do Imposto de Renda, que isentam contribuintes com renda mensal de até R$ 5.000 e oferecem descontos progressivos para quem ganha até R$ 7.530, já estão em vigor desde o início deste ano. Com os pagamentos referentes a janeiro sendo efetuados em fevereiro, os trabalhadores brasileiros começam a receber seus salários com reduções significativas no desconto do IR, conforme análise da revista VEJA sobre os impactos econômicos e políticos desta medida.
Expansão das faixas e alívio imediato no bolso do contribuinte
Projeto aprovado pelo Congresso em outubro do ano passado e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em novembro, a reformulação ampliou a faixa de isenção dos antigos R$ 3.036 para os atuais R$ 5.000. Além disso, criou um desconto gradual do imposto para aqueles com renda entre R$ 5.000 e R$ 7.350, corrigindo uma distorção histórica onde salários superiores a R$ 4.664 já estavam sujeitos à alíquota máxima de 27,5%.
"O alívio é imediato: quem ganha até 5.000 reais passa a ter imposto zero, e até 7.350 reais, o desconto é progressivo, o que coloca mais dinheiro no bolso da população para consumo e investimento", avalia a consultoria Contabilizei, responsável pelas simulações que detalham os ganhos por faixa de renda. "É um avanço na progressividade, garantindo que a faixa de isenção acompanhe melhor a realidade econômica das famílias."
Ganhos mensais e anuais: de R$ 10 a R$ 313 de bônus
Em números concretos, a reformulação gera uma sobra na conta dos contribuintes que varia de R$ 10 por mês, para aqueles próximos da antiga faixa de isenção, até R$ 313 para quem ganha exatamente R$ 5.000. Para este último grupo, o ganho acumulado em um ano, incluindo o décimo terceiro salário, chega a R$ 4.068, considerando as mesmas alíquotas de IR aplicadas ao benefício.
- Renda até R$ 5.000: isenção total do Imposto de Renda.
- Renda entre R$ 5.000 e R$ 7.350: desconto progressivo, com alíquotas reduzidas.
- Renda acima de R$ 100.000: aumento da carga tributária, conforme a nova tabela.
As simulações da Contabilizei, realizadas a pedido da VEJA, mostram que a medida beneficia diretamente milhões de trabalhadores, injetando recursos extras na economia familiar e potencialmente estimulando o consumo interno.
Defasagem histórica e correção pela inflação
Repetidamente congelada ao longo de décadas por diferentes governos, a tabela do IR acumulou uma enorme defasagem em relação à inflação. Na prática, isso significava que mais pessoas eram empurradas para faixas de cobrança superiores conforme os preços e salários subiam, mesmo sem aumento real no poder de compra.
Segundo cálculos da Anfip, associação de auditores da Receita Federal, a faixa de isenção, atualmente em R$ 5.000, já deveria ser superior a R$ 5.300 caso tivesse acompanhado toda a inflação desde 1994. Da mesma forma, a faixa da banda superior, que paga a alíquota máxima de 27,5%, deveria estar acima dos R$ 10.000 se tivesse evoluído conforme os preços.
A nova lei, portanto, representa um passo importante na atualização do sistema tributário, alinhando as cobranças do Imposto de Renda à realidade econômica contemporânea e proporcionando um respiro financeiro para as camadas de renda mais baixas da população brasileira.



