Abismo tecnológico: 38% das PMEs brasileiras usam IA de forma artesanal, revela pesquisa
38% das PMEs usam IA de forma artesanal, mostra estudo

Abismo tecnológico: 38% das PMEs brasileiras usam IA de forma artesanal, revela pesquisa

Uma pesquisa recente da G4 Educação revelou um cenário paradoxal no empreendedorismo brasileiro: enquanto a inteligência artificial é considerada a tendência mais crucial para o sucesso dos negócios, a maioria das pequenas e médias empresas ainda patina na implementação prática dessa tecnologia.

Intenção versus realidade

O estudo Raio-X do Empreendedor, que ouviu 816 empresários de todas as regiões do Brasil, mostrou que 59% dos entrevistados consideram inteligência artificial e automação como elementos fundamentais para o sucesso em 2026. No entanto, apenas 22% afirmam utilizar a tecnologia de forma estruturada em suas operações.

O dado mais alarmante, porém, refere-se aos 38% que admitem operar de forma completamente artesanal, dependendo excessivamente de planilhas e pessoas específicas, sem qualquer automação ou escala que caracterizaria uma implementação moderna de IA.

O "Abismo da Execução Tecnológica"

Os pesquisadores batizaram esse fenômeno de Abismo da Execução Tecnológica, que representa a lacuna entre o reconhecimento da importância da tecnologia e a capacidade real de implementá-la. Outros 53% dos empresários acreditam que a tecnologia é transformadora, mas confessam não saber por onde começar a aplicá-la em seus negócios.

"O mercado sabe que precisa de inteligência artificial no dia a dia da operação, mas ainda não sabe como fazer", avalia Misa Antonini, CEO do G4 Educação. Para ela, o investimento em capacitação contínua e em novas ferramentas de gestão é o caminho para reduzir esse gap que freia o avanço tecnológico das empresas brasileiras.

Mudança nas prioridades empresariais

A ascensão da IA nas prioridades dos empreendedores foi significativa em relação ao levantamento do ano anterior. A categoria cresceu cerca de seis pontos percentuais, superando "eficiência operacional", que liderava as prioridades em 2025.

Esta virada é simbólica: pela primeira vez, uma tecnologia específica, e não um objetivo geral de gestão, ocupa o topo da lista de preocupações dos empresários brasileiros. A maioria dos entrevistados atua em empresas com faturamento entre R$ 1 milhão e R$ 50 milhões ao ano, com predomínio do setor de serviços, que representou quase 70% da amostra.

Contexto de otimismo empresarial

O contraste entre intenção e execução acontece num momento em que outros indicadores do empreendedorismo brasileiro mostram sinais positivos. Segundo a mesma pesquisa:

  • 57,8% das empresas registraram crescimento de receita no último ano
  • O pessimismo com o cenário macroeconômico recuou 11 pontos percentuais
  • 70% dos empresários que se dizem pessimistas com o país mantêm otimismo com seus próprios negócios

Este cenário revela uma característica marcante do empreendedor brasileiro: mesmo diante de desafios macroeconômicos e tecnológicos, mantém-se resiliente e confiante na capacidade de crescimento de seus empreendimentos, ainda que enfrente dificuldades para implementar as ferramentas que considera essenciais para esse crescimento.