Economia brasileira desacelera em 2025 com PIB de 2,3%, o menor desde a pandemia
A economia brasileira apresentou uma clara desaceleração no ano de 2025, registrando um crescimento do Produto Interno Bruto de apenas 2,3%. Este é o menor resultado observado desde o período mais crítico da pandemia, marcando um ritmo mais lento após a recuperação pós-crise sanitária. A soma total de todos os bens, produtos e serviços produzidos pelo país atingiu a cifra de R$ 12,7 trilhões, refletindo um ambiente econômico mais desafiador.
Agropecuária brilha como destaque positivo em meio à desaceleração
Enquanto a economia geral perdia fôlego, o setor da agropecuária emergiu como um ponto de luz, registrando um crescimento expressivo de 11,7%. O desempenho foi impulsionado por safras recordes de grãos, como milho e soja, que fortaleceram as exportações, especialmente para a China. O produtor rural Flávio Delgado destacou a força da demanda chinesa: "Nós temos aí a China, que é o nosso principal comprador, comprando com bastante força, e a tendência é sempre estar aumentando o consumo". O IBGE ressaltou os ganhos significativos de produtividade, inclusive na pecuária, consolidando a agropecuária como o segundo setor que mais impactou o PIB de 2025, atrás apenas do setor de serviços.
Setor de serviços perde ritmo, mas mantém desempenho positivo
O setor de serviços, que é o maior empregador e movimentador de riquezas do país, desacelerou consideravelmente. Após uma alta de quase 4% em 2024, o principal motor da economia cresceu apenas 1,8% em 2025. Apesar da perda de velocidade, todas as atividades de serviços apresentaram desempenho positivo, com destaque para o segmento de informação e comunicação. A economista Silvia Matos, da FGV Ibre, explicou: "As empresas, para poderem reduzir custo e conseguirem sobreviver em um momento mais adverso da economia, precisam inovar. A gente diz que é meio independente do ciclo econômico. Sempre vai ser positivo, tanto por necessidade de inovação, necessidade de sobrevivência em um mercado tão difícil".
Consumo das famílias e investimentos sofrem com juros elevados
O consumo das famílias, assim como o PIB, avançou em um ritmo mais lento, registrando um crescimento de apenas 1,3%. A economista Silvia Matos atribuiu essa desaceleração ao impacto da taxa de juros alta: "Esse é o aspecto importante da desaceleração que a gente diz: juros afetando as famílias. É através do canal do crédito. A gente sabia que o consumo das famílias teria que desacelerar este ano. Mas, se a gente olha o número, é 1,3%. Um número positivo até, pensando em uma taxa de juros de 15%". Por outro lado, o bom desempenho do mercado de trabalho ajudou a compensar alguns impactos negativos, como ilustrado pela operadora de empilhadeira Giselle Carvalho, que conseguiu realizar pequenas viagens com o filho após ser contratada em 2025.
Indústria enfrenta o pior resultado desde 2020
A atividade industrial apresentou um crescimento tímido de apenas 1,4%, o pior resultado desde 2020, ano da pandemia. A desaceleração foi mais evidente nas fábricas, onde setores como a indústria da transformação sentiram o peso da taxa de juros elevada. Ciro Possobom, CEO e presidente da VW Brasil, comentou: "É um setor que precisa muito de capital. São muitos robôs, são muitas linhas de pintura, de estamparia e tudo isso. Então, precisa de um capital bastante intensivo, de longo prazo. Então, realmente é uma dificuldade". A indústria só não encolheu devido ao desempenho positivo da indústria extrativa, que registrou alta de quase 9%.
Investimentos caem e preocupam economistas
Os investimentos também foram menores em 2025, com a taxa de investimento caindo para 16,8% do PIB. Este valor está bem abaixo da média mundial de 25,1% e das economias emergentes, que superam 30%. Sérgio Valle, economista-chefe da MB Associados, expressou preocupação: "O investimento e a indústria foram os segmentos que mais desaceleraram no ano passado. Investimento especialmente é uma preocupação. Está tendo uma queda importante desde metade do ano passado. É uma sinalização de que a política monetária está tendo efeito". Samuel Pessoa, economista do BTG Pactual, acrescentou: "O comportamento do investimento andando de lado era esperado por conta da taxa de juros. Agora, o que preocupa mais é a dificuldade que nós temos de construir grandes ciclos de elevação do investimento".
Ranking internacional e perspectivas futuras
Em um ranking que mede o crescimento do PIB de 61 países, o Brasil caiu da 20ª posição em 2024 para a 36ª em 2025, refletindo a desaceleração relativa. As despesas do governo cresceram 2%, enquanto economistas alertam para a necessidade de ajustes fiscais. Sérgio Valle enfatizou: "Esse é o ponto essencial: a nossa história mostra, no passado, que para baixar a taxa de juros você tem que fazer o ajuste fiscal primeiro. Se a gente fizer isso, a gente abre espaço para a taxa de juros começar a cair e aí você começa a gerar um crescimento um pouco mais sustentável. O governo tem que gastar menos". A incerteza global e a falta de sincronia entre políticas monetária e fiscal continuam a desafiar a trajetória de crescimento sustentável da economia brasileira.
