Natal é a quinta capital onde se trabalha menos para comprar cesta básica
Natal: 5ª capital onde menos se trabalha por cesta básica

Natal se destaca em ranking nacional de acessibilidade alimentar

Você já se perguntou quantas horas precisa trabalhar mensalmente para garantir o alimento na mesa em Natal? Ou qual porcentagem do salário mínimo é consumida pelos itens essenciais da cesta básica? A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), realiza esse cálculo detalhado para todas as capitais brasileiras, revelando dados surpreendentes sobre o custo de vida no país.

Ranking das horas trabalhadas para alimentação

De acordo com o levantamento mais recente, Natal ocupa a quinta posição entre as capitais onde os trabalhadores precisam dedicar menos tempo de trabalho para adquirir os alimentos da cesta básica. Na capital potiguar, são necessárias 83 horas e 43 minutos de trabalho por mês para essa finalidade.

Em contraste, São Paulo lidera o ranking negativo, exigindo o maior número de horas trabalhadas, seguida pelo Rio de Janeiro (112 horas e 14 minutos) e Florianópolis (108 horas e 14 minutos). Esses números destacam as disparidades regionais no poder de compra dos brasileiros.

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Paradoxo potiguar: alta mensal, mas redução anual

O relatório de fevereiro apresentou um cenário curioso para Natal. A capital registrou a maior alta no preço da cesta básica entre todas as capitais brasileiras no mês de fevereiro, com um aumento de 3,52% em relação a janeiro, segundo dados do Dieese.

Entretanto, quando comparado ao mesmo período do ano anterior, houve uma redução de quase 5% nos valores, demonstrando uma tendência de melhora no médio prazo, apesar da flutuação mensal.

Comprometimento da renda com alimentação

Em fevereiro, a cesta básica em Natal custou, em média, R$ 616,84, conforme o Dieese. Este valor representa 41,14% do salário mínimo, indicando que o trabalhador potiguar precisa destinar essa parcela significativa de sua renda para adquirir alimentos básicos mensalmente.

A média nacional se mostrou ainda mais preocupante: 46,13% do rendimento líquido é necessário para comprar a cesta básica nas 27 capitais pesquisadas. É importante ressaltar que o cálculo considera o salário já com o desconto de 7,5% da contribuição para a Previdência Social.

Extremos do comprometimento salarial

São Paulo também lidera este ranking, com impressionantes 56,88% do salário mínimo comprometidos com a cesta básica. No outro extremo, Aracaju aparece como a capital mais favorável, onde apenas 37,54% do salário é destinado a esses alimentos essenciais.

Salário mínimo ideal versus realidade

O relatório também estima qual deveria ser o salário mínimo necessário para cobrir as despesas básicas de uma família brasileira. Em fevereiro, esse valor deveria ter sido de R$ 7.164,94 – aproximadamente quatro vezes maior que o piso atual de R$ 1.621.

Este cálculo alarmante é baseado no custo da cesta básica mais cara do país, que naquele mês foi a de São Paulo, evidenciando o abismo entre a realidade salarial e as necessidades básicas das famílias.

Fatores externos que impactam os preços

Especialistas alertam que conflitos internacionais, como a guerra no Oriente Médio, podem ter reflexos diretos nos preços dos alimentos no Brasil. Disrupções nas cadeias de suprimentos globais e aumento nos custos de transporte são fatores que potencialmente encarecem produtos básicos, afetando ainda mais o orçamento das famílias brasileiras.

Os dados apresentados revelam não apenas as condições atuais de acesso à alimentação básica, mas também destacam a necessidade de políticas públicas que considerem as especificidades regionais e garantam segurança alimentar para toda a população.

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